(A meu valoroso amigo Pedro)
No alto de um morro no Pacaembu foi construída a Mansão Andrade Morais. Seu proprietário e idealizador, o Barão Vicente de Andrade Morais, dono de muitas terras, de metade de toda a rede hoteleira das praias de Intanhaém e prefeito da singela cidade praiana. Construiu a casa num dos ponto mais altos da cidade, tão alto que da varanda do seu quarto pretendia ver o mar da saudosa baixada. Infelizmente com o passar do tempo a pomposa Av. Paulista deixou de ter suas gloriosas mansões e passou a ter arranha-céus que tapam a vista de qualquer mortal.
O Barão de Morais, honrado homem que era, desposou Emily Chantèle Traviata, uma nobre franco-italiana, cujo pai era dono de uma pequena ilha no sudoeste italiano, conhecida carinhosamente pelo nome de Sicília. Emily era a perfeita combinação das duas culturas, de personalidade forte mas doce, ela tinha a elegância francesa e a alegria italiana.
Barão e Baronesa Morais tiveram um único filho, a quem devotavam todo seu amor, Caio Felipe de Andrade Morais. A Família Andrade Morais foi sempre criada através dos bons costumes e dos mais altos preceitos morais. Com Caio não seria diferente, católicos fervorosos que eram, fizeram da vida de Caio uma predileção a inúmeros rituais: batismo, catecismo, 1ª comunhão, eucaristia, recitação do lecionário, crisma, domingo de ramos e auto de natal. Foi coroinha, diácono, sacristão, aspirante a seminarista. Mas Caio também foi arteiro e fez das suas quando criança. Com estilingue no bolso direito e terço no bolso esquerdo, ele comandava os atentados de maria-fedida na casa de dona Lurdes e amarrava traque em rabo de gato. Uma vez fingiu dor de barriga pro padre da escola, afim de matar a aula de matemática e ser dispensado da prova; o Sr. e a Sra. Morais chamados e Caio agüentou bem a sua farsa até quase perder o apêndice, minutos antes do doutor deitar o bisturi em sua barriga. Era tarde, até hoje Caio tem uma cicatriz de 1 ponto cirúrgico, que foi o que o medico cortou no susto da revelação de sua traquinagem infantil.
O tempo passou e caio cresceu. Foi para a faculdade de direito, bebeu muita cerveja num bar em frente a estátua do beijo, no largo São Francisco. Estagiou no gabinete de um famoso juiz da junta militar que participou da constituinte de 67. Pendurou a conta em muito restaurante ali do centro e aproveitou pra curtir a vida com muita estudante do 1º ano. Mas foi no carnaval de 72, em Salvador, que Caio conheceu Luana, a quem na comunidade soteropolitana chamavam carinhosamente de Lua. Lua era também advogada, formada pela Universidade Federal da Bahia, de família influente na elite intelectual da cidade do Senhor do Bomfim, seu pai era editor-chefe do A Tarde e eles moravam no ostentoso bairro Caminho das árvores, na cidade alta.
Foram duas semanas de lua cheia no céu da capital da alegria, em que Caio deixou as morais de lado e viveu uma ardente aventura com Lua . Na metade da quaresma do outro ano Lua viria se tornar Luana Morais. Os dois viriam residir em São Paulo, na mansão Andrade Morais, constituindo a segunda geração da família em terras bandeirantes.
Lua e Caio tiveram 3 filhos, Felipe de Andrade Morais, Caio Felipe de Andrade Morais Júnior, ou simplesmente Juninho, e Eduardo Felipe de Andrade Morais. Felipe, o mais velho, era o desbravador de morais, sempre revolucionário, pouco previsível e bastante impulsivo. Felipe aprendeu de cedo que com alguma insistência, conseguiria o que quisesse de sua mãe; ela acabaria por sua vez a convencer o pai e o mirabolante projeto seria implementado. Entre os grandes feitos que a mansão presenciou estão: o campeonato inter-colegial de futebol em sala de estar, o half de manobras super radicais no porão, a rave de 32h e 400 convidados, e por último mas não menos importante, a petição nº 1345 de jurisdição residencial, que permitia a legalização de alguns psicotrópicos naturais e de baixo teor na jurisprudência da Mansão Andrade Morais, entre eles o chimarrão. Isso porque Felipe tinha se acostumado a erva gaúcha quando, em sua viagem ao sul, foi surfar na praia do rosa, onde conheceu Bianca, bela garota porto alegrense acostumada ao chá de erva mate.
Quase tudo era permitido dentro dos muros da mansão Andrade Morais, desde que se levasse em conta os tradicionais costumes católicos não praticantes. A tradição era tão levada a sério que na parede da escada principal da casa estava uma foto autografada do Papa João Paulo II, de quando em sua visita ao Brasil vovó Emily o saudou em Aparecida. Em verdade vovó Emily não era mais a mesma desde a morte do Barão. Já com idade avançada, adquiriu uma senilidade quase poliana, estava sempre rindo e caminhando pela casa como se dançasse; vestia-se com suas peles e se maquiava de manhã para tomar o chá das cinco; vivia num mundo quase a parte, mantendo breves colóquios sobre as refeições ou quando seria novamente a hora de comer; cumprimentava a todos os visitantes à moda francesa e como manda a hospitalidade da casa, sempre se despedia deles com um “já vai?” “mas volta logo viu!” com o dedo em riste.
A casa realmente tinha uma aura muito hospitaleira, talvez por influência de costumes baianos, talvez italianos, mas o fato é que a porta estava sempre aberta para quem quisesse entrar, a cuia de chimarrão sempre cheia e, a TV da sala sempre ligada, para o caso de alguém chegar não encontrar ninguém ficar à vontade; de maneira que não importava a hora do dia, da noite ou da madrugada, sempre havia visitantes na casa. Pra quem passa na rua não é essa a impressão da mansão, já que no jardim da frente, mantendo guarda, estão dois enormes pitbulls que com uma única mordida poderiam lhe arrancar o braço. Mas sendo as primeiras impressões muito primeiras e sempre muito pouco confiáveis, não seriam esses dois ferozes animais em aparência a desmistificar a hospitalidade Andrade Morais. Se tivesse você oportunidade de ultrapassar os suntuosos portões da Mansão e desse de cara com os dois cães, eles provavelmente lhe cheirariam as costas da mão e, logo em seguida, enquanto o macho esfregaria a cabeça em sua perna pedindo carinho, a fêmea deitaria de barriga pra cima pedindo cócegas.
Foi num belo dia de domingo que Juninho viria a proferir a frase que entraria pros anais da família Andrade Morais, mudando todo o curso da (H)istória. Era pouco depois da hora do almoço, quando a fadiga toma conta de todos, leve, lenta e esperada, impedindo que se levantassem sem um dispendioso e desnecessário ato. A família terminava a sobremesa, quando Juninho, olhando para o pudim que mal havia tocado, disse “Mãe, eu sou ateu!”
Todos os talheres caíram ao mesmo tempo das mãos frouxas de perplexidade, cintilando em uníssono e dando ao momento um quê ainda mais melodramático. “Como você tem a coragem de desgraçar a sua família dessa maneira, meu filho” “MÃE, é só uma religião. O cara não morreu na cruz, ele nem existiu” “Você não ouse falar nesse tom comigo, mocinho” “Ou o quê? Deus vai me castigar?” “Agora já chega, pro seu quarto!”, e ainda com o dedo em riste, enquanto Juninho subia as escadas Lua ordena em sussurro “Caio, ligue pro padre Julio, temos que resolver essa situação” “Pra já, isso não vai acontecer na minha família”.
Em menos de 20 minutos estava padre Julio à porta do quarto de Juninho com defumador e água benta em mãos, seu ajudante levava uma enorme cruz de madeira e um livro de capa preta e páginas vermelhas. O padre tentou primeiro a diplomacia, “Juninho, por Deus nos deixe entrar” “Nem fodendo! Nem por ele, nem por você, nem por ninguém” “ Não fale assim garoto, ele está de ouvindo” “Sim, e nesse momento está em conferencia com Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada do Dente para decidir o meu destino” “Não blasfeme garoto ou eu...” “Você o quê? Vai se bolinar com seu coroinha, seu pedófilo viado”
Não ouviu mais palavra, padre Julio botou a porta abaixo a ponta-pé e entrou com violência. Começa o ritual: Juninho amarrado na cama falava um palavrão a cada respingo de água benta que atingia sua testa de tempos em tempos, ou entre um canto gregoriano e outra recitação em latim. “In Nomini Cristi, Rex rexorum, Domini Dominorum, Figli di Deo, abbandonate questo corpo che non appartiene a voi, creatura di inferno” “seu filho da puta” “Uova di Lúcifer, esca regno di Lux” “Corno, viado” “♪Cursum perficio. Verbum sapienti: Quo plus habent, Eo plus cupiunt. Post nubila, Phoebus Iternum ♪” “Me tira daqui seu desgraçado”.
O coroinha passava pelo quarto com o defumador exalando arruda e sândalo e a família assistia a tudo atónita. Até que aconteceu. De repente, como se houvessem desligado um botão, Caio desfaleceu vindo ao chão num supetão e num grande estrondo que deixou a todos em completo silêncio imóvel. Tudo parou, a cantoria, a chingadeira, e até a fumaça, tudo corroborando para a dramaticidade do momento. O próximo barulho a quebrar o ensurdecedor silêncio da casa seria o tilintar contínuo das sirenes de ambulância.
Diagnóstico: Acidente Vascular Cerebral por isquémia, vulgo derrame. Sequelas: perda de algumas funções motoras para nós tão familiares e corriqueiras, como comer, escrever, dirigir, trabalhar, por vezes falar. Caio ficou em observação por 1 semana e depois voltou a casa, desanimado, desorientado, desamparado de si mesmo, desesperançoso quanto ao resto de seus dias e a um diagnóstico que o impedia de fazer quase tudo. É em momentos como esse que se entende a essência do que significa o vocábulo família. Seres que convivem tanto tempo juntos, brigam, discutem, se amam, se odeiam, mas se apoiam, se sacrificam em nome uns dos outros. Assim foi, Lua alimentava Caio a cada refeição como a um bebê, até que esse sentisse confiança e firmeza na mão para comer sozinho; Felipe levava o pai de carro para onde ele quisesse; Eduardo ajudava o pai no banho até que também se sentisse confortável para realizar a tarefa sozinho; e Juninho, bem Juninho escrevia. Das quais pode parecer a função menos importante, mas foi justamente essa que devolveu o vigor e a esperança a Caio.
Um dia Juninho se deparou com o pai tentando escrever poesia como costumava fazer há algum tempo nas horas livres. A mão trêmula e sem controle riscava a folha de forma displicente, por vezes derrubando a caneta devido a tamanho esforço físico e mental. “ Pai, deixa que eu escrevo.” Caio olhou por um momento para o filho meio relutante, meio surpreso, como se tivesse sido interrompido de uma tarefa muito importante e de tão concentrado que estava demorou para se relocalizar no espaço-tempo e entender o que o filho o dizia, “O senhor me dita, eu escrevo”, dizia Juninho enquanto pegava da mão do pai o papel, entregue ainda em ar atónito. “Escreva lá...” e Juninho ouviu e escreveu, escreveu e ouviu. Ouviu um poema que seu humilde narrador não teria gabarito para reproduzir com perfeição, um poema que falava de erros, tentativas e acertos, acertos subsequentes de erros tão banais e tão presentes a cada ato. Foi nesse momento que Juninho percebeu a perseverança do pai em transpor aquela dificuldade, nesse preciso momento, Juninho percebeu nas nuances da narração do pai o imperceptível, Juninho teve uma epifania, um momento de iluminação. Juninho conheceu nos poemas do pai, nesse e em muitos outros que viriam, um deus diferente daquele aprendido na catequese, enxergou um deus que era a capacidade humana de superar desafios intransponíveis e ainda que tudo que lhe fora ensinado na fé católica não passasse para ele de um mito, esse se faz verdadeiro através da metáfora da superação da morte e da tortura inumanas pela ressurreição de um ideal.
E a mansão Andrade Morais segue placidamente no alto Pacaembu, apenas aguardando outras inúmeras histórias e outras tantas gerações.
Augusto Moreno dos Anjos
23/11/07
14:11
domingo, 25 de novembro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Série Casa de Família - A Casa dos Oliveiras
(Recentemente participei de um concurso de contos da revista Bravo. Escrevi um conto de realismo fantástico baseado em um fato real e inusitado que aconteceu na família de um grande amigo meu. Infelizmente não ganhei o concurso, mas tive uma idéia que valeria dez concursos. Resolvi presentear meus melhores amigos, aqueles em que se frequenta a casa e que se deseja que a amizade perdure eternamente, com contos sobre suas famílias. Certa vez, li em algum lugar que se um homem tivesse 5 verdadeiros amigos durante sua vida seria um homem de sorte. Vamos torcer para que eu possa superar muitas vezes esse número; e que "A casa dos Oliveiras" seja o primeiro de um livro com muitos contos.
A meu valoroso amigo Alexandre de Oliveira Neves)
A Casa dos Oliveiras
Poderia ser uma tarde como qualquer outra na residência de praia da família Oliveira. Poderia ser uma tarde dessas em que as crianças brincam em volta da piscina esperando a hora da digestão para poder entrar na água ou ir brincar na praia. Mas a família Oliveira não é uma família qualquer, e portanto, essa não poderia ser uma tarde como qualquer outra, mas sim uma tarde de inusitadas desventuras.
A casa por si só não é uma casa comum, daquelas que comumente se vê na praia. Ela tem um estilo colonial clássico, como em estórias dos García Marques, de paredes brancas, azulejos desenhados e janelas pintadas de azul escuro, com pequenos detalhes mouros. Para sua concepção existem duas teorias:
A primeira é que o nobre casal, Sr. e Sra. Oliveira mandaram trazer a casa montada de Portugal, da praia do Porto, e de navio até as areias quentes das praias brasileiras, onde fixaram residência, fugindo da imprudência da monarquia desacreditada de Dom Carlos, que viria a morrer dois anos depois, e seguidos mais dois anos seria implantada a república. Mas a essa altura do campeonato o casal Oliveira já havia se habituado as quentes águas do Atlântico do lado de cá.
A outra teoria é que a casa tinha sido a primeira construída na região, numa época em que não havia nem cidade, pelo avô do Sr. Oliveira, o último califa de Portugal, que tinha mantido seu califado a muito custo por quinhentos anos após a formação do Estado Português e que por essa razão de árabe só tinha mesmo era o título. O avô do Sr. Oliveira, Dom Afonso Miguel Abdalla de Oliveira, perdeu seu califado em Faro para a intrépida investida das tropas napoleônicas, mais precisamente o terceiro batalhão de infantaria de Jean Jacques Lacroix, que se desgarrou da tropa e com muito faro achou o secreto califado. Dom Afonso segue então para o Brasil e monta, em terras paulistas, um califado como o seu e que por já estar acostumado com o segredo da existência, permaneceu lá, quietinho em sua “casa de praia”. E assim fizeram as futuras gerações até que a civilização cercasse o místico terreno dos Oliveiras. E por mais absurdas que as duas hipóteses possam parecer, fica a crivo do leitor eleger a que lhe for mais plausível, já que nada consta nos autos e somente isso é o que o povo conta.
Naturalmente a casa tem um grande jardim de arbustos frutíferos e ervas medicinais. O terreno é todo cercado, além dos altos muros senhoris, por uma cerca viva de oliveiras que balançam suas folhas ao vento; no portão principal, as duas mais frondosas fazem festa aos visitantes que chegam, pois se há algo que os Oliveiras gostam, tenha isso origem moura ou não, é de festas, bebidas e convidados.
E agora que já descrevi a casa, basta apresentar os integrantes da família, presentes naquela tarde de curiosos acontecimentos. O grande Sr. Oliveira, até então supra citado, leva o mesmo nome do avô, suposto califa de Faro, Seu Afonso Miguel de Oliveira Neto, foi jornalista no diário local e agora aposentado, se dedica ao nobre ofício de escritor. A grande Sra. Oliveira, Dona Gertrudes de Carvalho e Oliveira, sempre foi mulher forte e geniosa, dotada de grande ímpeto e perseverança, razão coincidente com sua descendência de duas grandes árvores de raízes firmes, foi mãe dedicada e é uma avó amorosa. Os dois filhos do casal Oliveira, Afonso, o mais velho, e Miguel, o mais novo. Empresário e bicheiro. Com suas respectivas esposas, Cláudia e Vânia.
Os filhos de Afonso são Henrique Oliveira, 14 anos, o gêniozinho da família que seguirá os passos do pai e que para passar o tempo vê os altos e baixos da bolsa fazendo cálculos matemáticos para o melhor lucro; Daniel, 12 anos, o filho do meio, adora fingir dor de barriga para tomar o chá de erva cidreira da vovó e brincar com seus amigos imaginários; Vitor, ou Vitinho, 8 anos, o caçulinha da família, um garotinho mimado e espirituoso, bem humorado e a alegria de toda a família, como todo o caçula.
Miguel tem dois filhos, Douglas e Viviane. Douglas, 12 anos, mais introspectivo e Viviane, 9 anos, mais sociável. Tão sociável que enquanto seu irmão preferia brincar sozinho, Viviane trouxe uma amiguinha de companhia, Giselle. Giselle, Vitor e Viviane costumam brincar muito juntos.
A tarde estava ensolarada. A família fazia um churrasco à beira da piscina. Henrique calculava a 15ª razão do pi e via sua compatibilidade com a lógica da cabala. Vitinho e Giselle estavam escondidos no porão da piscina, próximos a máquina, enquanto Viviane contava até 100 no esconde-esconde. Os homens ainda estavam a comer carne e beber cerveja, as mulheres lavavam a louça enquanto jogavam conversa fora. Douglas brincava sozinho ao pé da sacada com um cubo mágico que achava dificuldade em resolver. O Sr. Oliveira, sentado em frente a sua Olivetti, tentava escrever um conto sobre sua família numa tarde qualquer. E Daniel, bem, Daniel acabava de tomar o chá de erva que tinha feito sua vó fazer e foi brincar na praia, escapulindo pela porta dos fundos sorrateiramente enquanto ninguém via.
Daniel estava sentado na areia olhando para o mar que molhava seus pés num vai e vem da maré, quando viu uma silhueta a uns dois ou três metros. Resolveu puxar conversa e como estava confortavelmente sentado, gritava para sua amiga um pouco distante. Convidou-a para ir até a casa brincar no jardim. Vendo que esta não respondia se aproximou.
Nesse meio tempo, Douglas quase conseguira resolver uma face do cubo, mas botou tudo a perder com dois movimentos precipitados. O Sr. Oliveira, aparado em frente a sua Olivetti, parecia não saber se decidir qual das possíveis lendas de sua origem lhe parecia um recurso melhor para um conto de realismo fantástico. E Vitinho e Giselle, cansados de esperar Viviane que já tinha revirado toda casa a procura dos dois, resolveram aproveitar o ensejo do porão para brincar de outra coisa bem mais interessante, brincar de médico.
Daniel voltava a casa com sua amiga de praia, apelidada de Lunática, já que até agora não havia pronunciado palavra e alguma coisa em sua aparência lembrava a Daniel o solo lunar. Entraram sorrateiramente, da mesma forma que havia saído, e subiram para o quarto da avó, aquele com sacada, para que ninguém nota-se a presença intrusa de Lunática.
Tudo ia bem e perfeitamente normal naquela tarde de sábado até que, vindo de lugar nenhum, como que caído do céu, um pedregulho acerta em cheio a cabeça de Douglas. Aos gritos de desespero do garoto e o rosto ensangüentado, a família se via alvoroçada e estupefata, sem saber direito como seria possível que uma pedra daquele tamanho tivesse simplesmente caído do céu.
Corre a família Oliveira ao hospital, onde agora aguardavam ansiosamente na sala de espera, enquanto Douglas levava 7 pontos na cabeça. O sentimento de culpa era geral. Como bons católicos, cada membro da família tinha atribuído a si uma parcela de mea culpa do estranho incidente. Dona Gertrudes se penitenciava, achando que era um castigo de Deus pela sua falsa idolatria, já que certa vez, na dúvida da verdadeira origem de seu marido, achou que não fazia mal nenhum se rezasse seu pai-nosso virada para Meca, só para garantir. Henrique achou que tinha conjurado um meteoro ao decifrar os estranhos teoremas hebraicos. Vitinho, acostumado desde muito cedo com a culpa católica e com a onisciência divina, sentiu-se chateado por Deus ter punido seu primo por ter visto ele e Giselle “fazendo coisa feia” como dizia sua avó. Miguel se lastimava por ter comido carne na última sexta-feira santa. Viviane se fez jurar nunca mais blasfemar para nada, pois irritada com o esconde-esconde ela tinha gritado, justamente no momento do ocorrido, para todos ouvirem em alto e bom tom que não acharia Vitinho e Giselle nem que chovesse pedra. O Seu Oliveira resolveu que não escreveria mais realismo fantástico, pois no seu conto pedras caiam do céu.
Todos tinham inventado um motivo para si. Todos menos Daniel. Ele viria confessar dez anos depois num almoço de páscoa que o chá da vovó não fazia lá tão bem para a cabeça como fazia para o estômago, pois naquela fatídica tarde não quis dizer a ninguém que Lunática, sua amiga da praia, era uma pedra lunar que segundo ele podia falar e que lhe disse que sabia voar, foi quando Daniel a jogou janela a fora, esperando que voltasse para casa bem.
A meu valoroso amigo Alexandre de Oliveira Neves)
A Casa dos Oliveiras
Poderia ser uma tarde como qualquer outra na residência de praia da família Oliveira. Poderia ser uma tarde dessas em que as crianças brincam em volta da piscina esperando a hora da digestão para poder entrar na água ou ir brincar na praia. Mas a família Oliveira não é uma família qualquer, e portanto, essa não poderia ser uma tarde como qualquer outra, mas sim uma tarde de inusitadas desventuras.
A casa por si só não é uma casa comum, daquelas que comumente se vê na praia. Ela tem um estilo colonial clássico, como em estórias dos García Marques, de paredes brancas, azulejos desenhados e janelas pintadas de azul escuro, com pequenos detalhes mouros. Para sua concepção existem duas teorias:
A primeira é que o nobre casal, Sr. e Sra. Oliveira mandaram trazer a casa montada de Portugal, da praia do Porto, e de navio até as areias quentes das praias brasileiras, onde fixaram residência, fugindo da imprudência da monarquia desacreditada de Dom Carlos, que viria a morrer dois anos depois, e seguidos mais dois anos seria implantada a república. Mas a essa altura do campeonato o casal Oliveira já havia se habituado as quentes águas do Atlântico do lado de cá.
A outra teoria é que a casa tinha sido a primeira construída na região, numa época em que não havia nem cidade, pelo avô do Sr. Oliveira, o último califa de Portugal, que tinha mantido seu califado a muito custo por quinhentos anos após a formação do Estado Português e que por essa razão de árabe só tinha mesmo era o título. O avô do Sr. Oliveira, Dom Afonso Miguel Abdalla de Oliveira, perdeu seu califado em Faro para a intrépida investida das tropas napoleônicas, mais precisamente o terceiro batalhão de infantaria de Jean Jacques Lacroix, que se desgarrou da tropa e com muito faro achou o secreto califado. Dom Afonso segue então para o Brasil e monta, em terras paulistas, um califado como o seu e que por já estar acostumado com o segredo da existência, permaneceu lá, quietinho em sua “casa de praia”. E assim fizeram as futuras gerações até que a civilização cercasse o místico terreno dos Oliveiras. E por mais absurdas que as duas hipóteses possam parecer, fica a crivo do leitor eleger a que lhe for mais plausível, já que nada consta nos autos e somente isso é o que o povo conta.
Naturalmente a casa tem um grande jardim de arbustos frutíferos e ervas medicinais. O terreno é todo cercado, além dos altos muros senhoris, por uma cerca viva de oliveiras que balançam suas folhas ao vento; no portão principal, as duas mais frondosas fazem festa aos visitantes que chegam, pois se há algo que os Oliveiras gostam, tenha isso origem moura ou não, é de festas, bebidas e convidados.
E agora que já descrevi a casa, basta apresentar os integrantes da família, presentes naquela tarde de curiosos acontecimentos. O grande Sr. Oliveira, até então supra citado, leva o mesmo nome do avô, suposto califa de Faro, Seu Afonso Miguel de Oliveira Neto, foi jornalista no diário local e agora aposentado, se dedica ao nobre ofício de escritor. A grande Sra. Oliveira, Dona Gertrudes de Carvalho e Oliveira, sempre foi mulher forte e geniosa, dotada de grande ímpeto e perseverança, razão coincidente com sua descendência de duas grandes árvores de raízes firmes, foi mãe dedicada e é uma avó amorosa. Os dois filhos do casal Oliveira, Afonso, o mais velho, e Miguel, o mais novo. Empresário e bicheiro. Com suas respectivas esposas, Cláudia e Vânia.
Os filhos de Afonso são Henrique Oliveira, 14 anos, o gêniozinho da família que seguirá os passos do pai e que para passar o tempo vê os altos e baixos da bolsa fazendo cálculos matemáticos para o melhor lucro; Daniel, 12 anos, o filho do meio, adora fingir dor de barriga para tomar o chá de erva cidreira da vovó e brincar com seus amigos imaginários; Vitor, ou Vitinho, 8 anos, o caçulinha da família, um garotinho mimado e espirituoso, bem humorado e a alegria de toda a família, como todo o caçula.
Miguel tem dois filhos, Douglas e Viviane. Douglas, 12 anos, mais introspectivo e Viviane, 9 anos, mais sociável. Tão sociável que enquanto seu irmão preferia brincar sozinho, Viviane trouxe uma amiguinha de companhia, Giselle. Giselle, Vitor e Viviane costumam brincar muito juntos.
A tarde estava ensolarada. A família fazia um churrasco à beira da piscina. Henrique calculava a 15ª razão do pi e via sua compatibilidade com a lógica da cabala. Vitinho e Giselle estavam escondidos no porão da piscina, próximos a máquina, enquanto Viviane contava até 100 no esconde-esconde. Os homens ainda estavam a comer carne e beber cerveja, as mulheres lavavam a louça enquanto jogavam conversa fora. Douglas brincava sozinho ao pé da sacada com um cubo mágico que achava dificuldade em resolver. O Sr. Oliveira, sentado em frente a sua Olivetti, tentava escrever um conto sobre sua família numa tarde qualquer. E Daniel, bem, Daniel acabava de tomar o chá de erva que tinha feito sua vó fazer e foi brincar na praia, escapulindo pela porta dos fundos sorrateiramente enquanto ninguém via.
Daniel estava sentado na areia olhando para o mar que molhava seus pés num vai e vem da maré, quando viu uma silhueta a uns dois ou três metros. Resolveu puxar conversa e como estava confortavelmente sentado, gritava para sua amiga um pouco distante. Convidou-a para ir até a casa brincar no jardim. Vendo que esta não respondia se aproximou.
Nesse meio tempo, Douglas quase conseguira resolver uma face do cubo, mas botou tudo a perder com dois movimentos precipitados. O Sr. Oliveira, aparado em frente a sua Olivetti, parecia não saber se decidir qual das possíveis lendas de sua origem lhe parecia um recurso melhor para um conto de realismo fantástico. E Vitinho e Giselle, cansados de esperar Viviane que já tinha revirado toda casa a procura dos dois, resolveram aproveitar o ensejo do porão para brincar de outra coisa bem mais interessante, brincar de médico.
Daniel voltava a casa com sua amiga de praia, apelidada de Lunática, já que até agora não havia pronunciado palavra e alguma coisa em sua aparência lembrava a Daniel o solo lunar. Entraram sorrateiramente, da mesma forma que havia saído, e subiram para o quarto da avó, aquele com sacada, para que ninguém nota-se a presença intrusa de Lunática.
Tudo ia bem e perfeitamente normal naquela tarde de sábado até que, vindo de lugar nenhum, como que caído do céu, um pedregulho acerta em cheio a cabeça de Douglas. Aos gritos de desespero do garoto e o rosto ensangüentado, a família se via alvoroçada e estupefata, sem saber direito como seria possível que uma pedra daquele tamanho tivesse simplesmente caído do céu.
Corre a família Oliveira ao hospital, onde agora aguardavam ansiosamente na sala de espera, enquanto Douglas levava 7 pontos na cabeça. O sentimento de culpa era geral. Como bons católicos, cada membro da família tinha atribuído a si uma parcela de mea culpa do estranho incidente. Dona Gertrudes se penitenciava, achando que era um castigo de Deus pela sua falsa idolatria, já que certa vez, na dúvida da verdadeira origem de seu marido, achou que não fazia mal nenhum se rezasse seu pai-nosso virada para Meca, só para garantir. Henrique achou que tinha conjurado um meteoro ao decifrar os estranhos teoremas hebraicos. Vitinho, acostumado desde muito cedo com a culpa católica e com a onisciência divina, sentiu-se chateado por Deus ter punido seu primo por ter visto ele e Giselle “fazendo coisa feia” como dizia sua avó. Miguel se lastimava por ter comido carne na última sexta-feira santa. Viviane se fez jurar nunca mais blasfemar para nada, pois irritada com o esconde-esconde ela tinha gritado, justamente no momento do ocorrido, para todos ouvirem em alto e bom tom que não acharia Vitinho e Giselle nem que chovesse pedra. O Seu Oliveira resolveu que não escreveria mais realismo fantástico, pois no seu conto pedras caiam do céu.
Todos tinham inventado um motivo para si. Todos menos Daniel. Ele viria confessar dez anos depois num almoço de páscoa que o chá da vovó não fazia lá tão bem para a cabeça como fazia para o estômago, pois naquela fatídica tarde não quis dizer a ninguém que Lunática, sua amiga da praia, era uma pedra lunar que segundo ele podia falar e que lhe disse que sabia voar, foi quando Daniel a jogou janela a fora, esperando que voltasse para casa bem.
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Série Casa de Família
terça-feira, 9 de outubro de 2007
I
A vida é como um rio turbulento
Que nunca para de jorrar
Que jorra, jorra sem parar
É fluído, é instante, é momento
Incessante, passageiro
O mesmo de antes
E novo por inteiro
E as pedras que do leito esperam eternamente vendo o rio passar, fluir, jorrar, sem nunca esgotar, parecendo não sair do lugar.
Não quero ser uma pedra que vê a vida passar a cada instante sem sair do lugar.
Quero ser a gota que desce a corredeira que flui com a corrente da vida a morrer na imensidão do mar.
Augusto M. dos Anjos
25/02/06
8:10pm
PS. concebido há 3h embaixo de uma cachoeira
Que nunca para de jorrar
Que jorra, jorra sem parar
É fluído, é instante, é momento
Incessante, passageiro
O mesmo de antes
E novo por inteiro
E as pedras que do leito esperam eternamente vendo o rio passar, fluir, jorrar, sem nunca esgotar, parecendo não sair do lugar.
Não quero ser uma pedra que vê a vida passar a cada instante sem sair do lugar.
Quero ser a gota que desce a corredeira que flui com a corrente da vida a morrer na imensidão do mar.
Augusto M. dos Anjos
25/02/06
8:10pm
PS. concebido há 3h embaixo de uma cachoeira
Rito de passagem
(toda sociedade tem um rito de passagem para a vida adulta; desde a primitiva até a mais avançada. Creio e sinto que na sociedade moderna, como outros ritos, esse se constitui em sofrimento e perda. O caráter individualista da sociedade capitalista é nessa fase finalmente concretizado. Cada um por si e Deus contra todos , como manda o calvinismo cínico impregnado em cada um de nós de criação ocidentalmente globalizada. Em pensar que um dia o planeta só teria ocidente. Esse dia chegou.)
Nunca tive banda
Nem de rock, nem de samba
Juventude degradada
Nunca tive namorada
Pra suprir minha carência
Fui alma rechaçada
Em eterna clemência
A vida adulta (agora) é deprimente
Pois traz outra perda inerente
Quando os amigos se tornam colegas
A palavra solidão soa até piegas
Augusto M. dos Anjos
25/01/06
1:42 am
Nunca tive banda
Nem de rock, nem de samba
Juventude degradada
Nunca tive namorada
Pra suprir minha carência
Fui alma rechaçada
Em eterna clemência
A vida adulta (agora) é deprimente
Pois traz outra perda inerente
Quando os amigos se tornam colegas
A palavra solidão soa até piegas
Augusto M. dos Anjos
25/01/06
1:42 am
Refração sem cor
Quando vejo as cicatrizes, percebo
Aquilo que outrora não concebia
E que agora, já me alienia
É do mundo que, o que sinto e penso, recebo
As cicatrizes?
Recalques de covardia
Recalques da rebeldia,
Da vergonha, do medo
E nunca da alegria
Feridas indissociáveis
Desse mundo sensível
Incuráveis
Visão coberta de cinza e corpo perecível
Só resta dor e solidão
Num mundo sem amor e paixão
E uma vida sem alento
O corpo é só o remendo
Haja vista as cicatrizes
Dessa vida sem matizes
Augusto M. dos Anjos
30/06/04
11:55 pm
Aquilo que outrora não concebia
E que agora, já me alienia
É do mundo que, o que sinto e penso, recebo
As cicatrizes?
Recalques de covardia
Recalques da rebeldia,
Da vergonha, do medo
E nunca da alegria
Feridas indissociáveis
Desse mundo sensível
Incuráveis
Visão coberta de cinza e corpo perecível
Só resta dor e solidão
Num mundo sem amor e paixão
E uma vida sem alento
O corpo é só o remendo
Haja vista as cicatrizes
Dessa vida sem matizes
Augusto M. dos Anjos
30/06/04
11:55 pm
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Hedonismo – Mito ou Lenda
(Esse poema foi criado no 3º semestre da ESPM para uma aula de mershandising. O objetivo era fazer um paralelo entre a matéria e o livro do filósofo francês André Comte Sponville, Felicidade Desesperadamente. De alguma maneira conseguimos mostrar pela teoria do filósofo que as técnicas da aula causam infelicidade no consumidor. Segue o poema, e para quem quiser recomendo a leitura do livro.)
Eis aqui uma grande questão
Se algum dia existiu hedonismo ou não
Pois uma coisa, há de concordar que é fato
Se a felicidade existe, ela só pode ser em ato
Dizem do homem que procura proteger sua natureza
Mas dissso, meu amigo, já não tenho tanta certeza
O que me diz daquele que sempre quer a vida mais ativa
Que não consegue jamais se desfazer de expectativa
Expectativa, não há maior tormento
É a busca pelo objeto amado
Que só causa sofrimento
E o encontro idealizado
Seguido de um profundo enfado
Sponville errou quanto a expectativa
Pois ela vem do antro social
De forma a jamais ser deliberativa
E esta é a origem de todo mal
Ainda que tivesse alguma liberdade
O homem escolheria a infelicidade
Pra que aproveitar o momento
Se posso me empanturrar com alento
Desesperadamente?
Só se for a espera da morte
Que com alguma sorte
Virá rapidamente
Augusto M. Anjos
05/10/04
23:25
Eis aqui uma grande questão
Se algum dia existiu hedonismo ou não
Pois uma coisa, há de concordar que é fato
Se a felicidade existe, ela só pode ser em ato
Dizem do homem que procura proteger sua natureza
Mas dissso, meu amigo, já não tenho tanta certeza
O que me diz daquele que sempre quer a vida mais ativa
Que não consegue jamais se desfazer de expectativa
Expectativa, não há maior tormento
É a busca pelo objeto amado
Que só causa sofrimento
E o encontro idealizado
Seguido de um profundo enfado
Sponville errou quanto a expectativa
Pois ela vem do antro social
De forma a jamais ser deliberativa
E esta é a origem de todo mal
Ainda que tivesse alguma liberdade
O homem escolheria a infelicidade
Pra que aproveitar o momento
Se posso me empanturrar com alento
Desesperadamente?
Só se for a espera da morte
Que com alguma sorte
Virá rapidamente
Augusto M. Anjos
05/10/04
23:25
domingo, 30 de setembro de 2007
Ode ao Artista - “Manifesto de um Existencialismo Perdido”
A desconstrução faz a ação
O protesto faz o gesto
E num ato de glorificação
Escrevo o seguinte manifesto
Para uns era pura imitação
Para outros beleza, perfeição, razão
Para aqueles nada como o alvorecer
Que na manhã nublada fez o sol nascer
Para esses expressas um sentimento
Botar para fora um tormento
As mudanças do globo salientar
E logo tudo no mundo fragmentar
Porém para estes significa tudo questionar
E até a questão num sonho imaginar
Mas e para nós qual é a questão?
Qual o âmago do coração?
Diz-me, Oh grande artista
Como tu vês o mundo?
Como vou a fundo?
Como chego na visão idealista?
Me explica esse tormento
Esse que jaz em pensamento
Como devo concretizar
Se o vazio não deixa pensar?
O vazio é o vazio da existência
Em cuja função de permanência
Como a vida que degenera
Torna a arte uma quimera
Augusto M. dos Anjos
06/06/04
10:14 pm
O protesto faz o gesto
E num ato de glorificação
Escrevo o seguinte manifesto
Para uns era pura imitação
Para outros beleza, perfeição, razão
Para aqueles nada como o alvorecer
Que na manhã nublada fez o sol nascer
Para esses expressas um sentimento
Botar para fora um tormento
As mudanças do globo salientar
E logo tudo no mundo fragmentar
Porém para estes significa tudo questionar
E até a questão num sonho imaginar
Mas e para nós qual é a questão?
Qual o âmago do coração?
Diz-me, Oh grande artista
Como tu vês o mundo?
Como vou a fundo?
Como chego na visão idealista?
Me explica esse tormento
Esse que jaz em pensamento
Como devo concretizar
Se o vazio não deixa pensar?
O vazio é o vazio da existência
Em cuja função de permanência
Como a vida que degenera
Torna a arte uma quimera
Augusto M. dos Anjos
06/06/04
10:14 pm
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Ode a Atlas - Sofredor e Titã
Abençoado seja tu nobre Titã
A quem foi dada esta tarefa crucial
A que os humanos consideram vã
Mal sabem eles que um erro teu é fatal
Conta-me teu segredo
Como fazes tal façanha
Não quero mais sentir medo
Quero saber dessa artimanha
Não há no mundo punição igual
Àquela que foi dada ao imortal
De o mundo sustentar sem perdão
De jamais ouvir sequer gratidão
Sinto-me próximo de ti
E às vezes acho que entendo
Mas por vezes não compreendo
O que é essa dor que senti?
Por que essa vontade de tudo largar?
E de fato um alivio sentir
Quando o céu cair
E a todos matar
Nobre é aquele que vê nesta sina
Ela em si tão cretina
Não mais uma punição
Mas sua grande missão
Nobre é aquele que não a aceita
Que quando esta o peita
Tem coragem de dizer não
Porém mais nobre que todos és tu
Que aceita a missão sem rejeição
Sem uma única vã reclamação
Que segue adiante pela eternidade
Para o bem de todos
Mesmo sem trazer-lhe felicidade
Augusto M. dos Anjos
05/04/04
15:15
A quem foi dada esta tarefa crucial
A que os humanos consideram vã
Mal sabem eles que um erro teu é fatal
Conta-me teu segredo
Como fazes tal façanha
Não quero mais sentir medo
Quero saber dessa artimanha
Não há no mundo punição igual
Àquela que foi dada ao imortal
De o mundo sustentar sem perdão
De jamais ouvir sequer gratidão
Sinto-me próximo de ti
E às vezes acho que entendo
Mas por vezes não compreendo
O que é essa dor que senti?
Por que essa vontade de tudo largar?
E de fato um alivio sentir
Quando o céu cair
E a todos matar
Nobre é aquele que vê nesta sina
Ela em si tão cretina
Não mais uma punição
Mas sua grande missão
Nobre é aquele que não a aceita
Que quando esta o peita
Tem coragem de dizer não
Porém mais nobre que todos és tu
Que aceita a missão sem rejeição
Sem uma única vã reclamação
Que segue adiante pela eternidade
Para o bem de todos
Mesmo sem trazer-lhe felicidade
Augusto M. dos Anjos
05/04/04
15:15
Benevolente e Judas
Quem és tu para julgares aquele fascista
Não percebes que no fundo a ti dá igual
Não percebes que és em extremo egoísta
Não percebes que para ti isso é normal
Pensas ser um homem de bem
Mas a ti nada convém
E se convém, não é essa a questão
Pois no fundo, o que procuras é satisfação
O altruísmo é uma ilusão
Não fazes para ajudar
Se não para se gabar
Pois se é para sofrer não divides o pão
Poucos são aqueles capazes de tal sacrifício
Que passam pela provação sem suplício
Que são dignos de honraria
A todos os outros só baixaria
Augusto M. dos Anjos
24/11/03
9:40 pm
Não percebes que no fundo a ti dá igual
Não percebes que és em extremo egoísta
Não percebes que para ti isso é normal
Pensas ser um homem de bem
Mas a ti nada convém
E se convém, não é essa a questão
Pois no fundo, o que procuras é satisfação
O altruísmo é uma ilusão
Não fazes para ajudar
Se não para se gabar
Pois se é para sofrer não divides o pão
Poucos são aqueles capazes de tal sacrifício
Que passam pela provação sem suplício
Que são dignos de honraria
A todos os outros só baixaria
Augusto M. dos Anjos
24/11/03
9:40 pm
sábado, 15 de setembro de 2007
Aos olhos do criador
(reflexões sobre a aula de semiótica, analizando o Mito da Caverna. Primeiro semestre de ESPM. Data precisa: incerta)
A mais perfeita imitação
A mentira que desvia
Em 3º grau e que alienia
É a arte para Platão
Uma forma de expressão
E um significado
Que lhe garante o pão e o bom-bocado
È a arte para o artesão
A combinação da palavra
Daquilo que surge num lampejo
Da forma de expor o desejo
E que na mente lavra
È a arte para o poeta
É o fruto da criação
Que surge da imaginação
Que torna palpável e tangível
Ao mundo o que é inteligível
Eis o erro de Platão
Pois é o artista o adão da criação
Deslocado desse mundo superficial
Cria seu próprio, e se aproxima do ideal
Porém, é a sina de todo criador
De que (no final) sua arte, já não lhe pertença
Pois é do expectador que virá sua sentença.
Augusto M. dos Anjos
A mais perfeita imitação
A mentira que desvia
Em 3º grau e que alienia
É a arte para Platão
Uma forma de expressão
E um significado
Que lhe garante o pão e o bom-bocado
È a arte para o artesão
A combinação da palavra
Daquilo que surge num lampejo
Da forma de expor o desejo
E que na mente lavra
È a arte para o poeta
É o fruto da criação
Que surge da imaginação
Que torna palpável e tangível
Ao mundo o que é inteligível
Eis o erro de Platão
Pois é o artista o adão da criação
Deslocado desse mundo superficial
Cria seu próprio, e se aproxima do ideal
Porém, é a sina de todo criador
De que (no final) sua arte, já não lhe pertença
Pois é do expectador que virá sua sentença.
Augusto M. dos Anjos
Um olhar sobre o Mundo
(Pieguas, eu sei!)
Olhe o mundo com os olhos de uma criança
Que desde a tenra infância
Não deixa de se fascinar
Não deixa de se apaixonar
Não deixa de se impressionar
Com olhos que tecem em cada coisa
Um olhar critico, misterioso
Que em sua meiga meninice
É tão simples e jocoso
È como a imensidão do mar
Que chega a cativar
Ou o perfume belo de uma flor
Na natureza a mais pura expressão do amor
Como um novo dia a nascer
Ou uma bela estrela a noite a brilhar
Mas, que estou fazendo aqui a me aborrecer
Há um mundo lá fora a se olhar.
Augusto M dos Anjos
07/07/03
2:32
Olhe o mundo com os olhos de uma criança
Que desde a tenra infância
Não deixa de se fascinar
Não deixa de se apaixonar
Não deixa de se impressionar
Com olhos que tecem em cada coisa
Um olhar critico, misterioso
Que em sua meiga meninice
É tão simples e jocoso
È como a imensidão do mar
Que chega a cativar
Ou o perfume belo de uma flor
Na natureza a mais pura expressão do amor
Como um novo dia a nascer
Ou uma bela estrela a noite a brilhar
Mas, que estou fazendo aqui a me aborrecer
Há um mundo lá fora a se olhar.
Augusto M dos Anjos
07/07/03
2:32
O Testemunho “ Fênix da Aurora”
(As coisas mais simples da vida podem gerar sentimentos mais complexos. Quando escrevi isso tinha terminado um colegial não tão feliz e no dia seguinte começavam as aulas do cursinho para entrar na ESPM, que eu acreditava ser uma grande mudança na minha vida e uma das épocas que seria das mais felizes e gloriosas. Eu estava certo.)
Amanhã é um novo começo, um novo dia
Amanhã a Aurora será mais clara
E as flores abrirão mais cedo para saudar a manhã
Para saudar o começo de uma nova Era
A era do renascimento
Amanhã deixarei de me preocupar com o passado
ou o futuro, e viverei o presente.
Amanhã começa uma luta
Uma luta por uma vida melhor,
Por sonhos perfeitos e realizados
Amanhã é o divisor de águas
O “antes de” e “depois de” da minha existência
Amanhã é o marco da vida futura
Quando a fênix renascerá das cinzas, do fogo de uma vida passada, para viver mais 500 anos na bonança, na alegria e na paz.
Eu sou a fênix, deixa queimar,
Deixa queimar pois amanhã só restará cinzas
Só restará pó,
E do pó ao pó, eu renascerei e viverei.
Augusto M. dos Anjos
05/03/03 (quarta-feira de cinzas)
10:40 pm
Amanhã é um novo começo, um novo dia
Amanhã a Aurora será mais clara
E as flores abrirão mais cedo para saudar a manhã
Para saudar o começo de uma nova Era
A era do renascimento
Amanhã deixarei de me preocupar com o passado
ou o futuro, e viverei o presente.
Amanhã começa uma luta
Uma luta por uma vida melhor,
Por sonhos perfeitos e realizados
Amanhã é o divisor de águas
O “antes de” e “depois de” da minha existência
Amanhã é o marco da vida futura
Quando a fênix renascerá das cinzas, do fogo de uma vida passada, para viver mais 500 anos na bonança, na alegria e na paz.
Eu sou a fênix, deixa queimar,
Deixa queimar pois amanhã só restará cinzas
Só restará pó,
E do pó ao pó, eu renascerei e viverei.
Augusto M. dos Anjos
05/03/03 (quarta-feira de cinzas)
10:40 pm
Anseios à Dama da Noite
(Destaquei da ordem também os dois textos que postarei agora e logo em seguida. Foram destacados da seleção do baú porque não pude classifica-los apropriadamente. Pendem
mais para ensaisos do que para poemas mas ainda apresentam uma estrutura próxima da poesia, ainda que para isso teriamos que nos acostumar a múltiplos versos livres em uma única estrofe. Cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões desse híbrido.)
Oh bela Lua que no céu brilha
Que me irradia com tanta alegria
Oh serena Senhora da noite
Ser puro de alma perfeita
Dama de singela beleza
Soberana no céu, triste em sua natureza
Oh Lua de imensas paixões,
De suplicas e venerações
Desce do céu à terra,
Desce e acalenta meu leito,
Desce em forma humana
E me torna perfeito
Toma substância; encarna!
Encarna e vem
Junta tua carne à minha
Me completa
Traz tua serenidade e sutileza, tua meiguice e
Tua singela malícia para os lençóis
Torna essa vida apreciativa
Torna minha vida mais ativa
Me faz teu boêmio,
Teu maroto menino, teu homem
Desce, eu te imploro
Desce por uma noite e seja Nova
Ausente no céu
Presente para mim
Desce; só esta noite é o que lhe peço!
Augusto M. dos Anjos
20/01/03
12:59 am
mais para ensaisos do que para poemas mas ainda apresentam uma estrutura próxima da poesia, ainda que para isso teriamos que nos acostumar a múltiplos versos livres em uma única estrofe. Cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões desse híbrido.)
Oh bela Lua que no céu brilha
Que me irradia com tanta alegria
Oh serena Senhora da noite
Ser puro de alma perfeita
Dama de singela beleza
Soberana no céu, triste em sua natureza
Oh Lua de imensas paixões,
De suplicas e venerações
Desce do céu à terra,
Desce e acalenta meu leito,
Desce em forma humana
E me torna perfeito
Toma substância; encarna!
Encarna e vem
Junta tua carne à minha
Me completa
Traz tua serenidade e sutileza, tua meiguice e
Tua singela malícia para os lençóis
Torna essa vida apreciativa
Torna minha vida mais ativa
Me faz teu boêmio,
Teu maroto menino, teu homem
Desce, eu te imploro
Desce por uma noite e seja Nova
Ausente no céu
Presente para mim
Desce; só esta noite é o que lhe peço!
Augusto M. dos Anjos
20/01/03
12:59 am
sábado, 8 de setembro de 2007
Por que Aqui Estamos? – As Duas faces de uma moeda
(Eis o anti-poema de Cara)
Coroa
Por que aqui estamos?
Neste mundo decadente
Vivendo de forma inconseqüente
Por que aqui estamos
Chego a imaginar
Sem nunca a uma resposta chegar
Pois sempre teimamos em destruir
Um mundo que a tantos custou construir
Por que aqui estamos?
Aqui estamos num suplico agonizante
Num pedido de atenção perpetuante
Vivendo nos restos de um mundo
Onde devemos pedir clemência
Àqueles que se dizem humanos e são imundos
Aurélio pág 270 - [...Humano – Adj. 1. Relativo a homem 2. Humanitário 3. Que ama seu semelhante...]
Vivo em um mundo onde um homem mata o outro com a maior tranqüilidade
Vivo em um mundo onde o gênero humano carece de humanidade
Augusto M. dos Anjos
20/08/03 10:54pm
Coroa
Por que aqui estamos?
Neste mundo decadente
Vivendo de forma inconseqüente
Por que aqui estamos
Chego a imaginar
Sem nunca a uma resposta chegar
Pois sempre teimamos em destruir
Um mundo que a tantos custou construir
Por que aqui estamos?
Aqui estamos num suplico agonizante
Num pedido de atenção perpetuante
Vivendo nos restos de um mundo
Onde devemos pedir clemência
Àqueles que se dizem humanos e são imundos
Aurélio pág 270 - [...Humano – Adj. 1. Relativo a homem 2. Humanitário 3. Que ama seu semelhante...]
Vivo em um mundo onde um homem mata o outro com a maior tranqüilidade
Vivo em um mundo onde o gênero humano carece de humanidade
Augusto M. dos Anjos
20/08/03 10:54pm
Por que Aqui Estamos? – As Duas faces de uma moeda
(aproveitando a estrutura criada por mim de poema e anti-poema, desenvolvi dois poemas para um trabalho de sociologia no primeiro ano de faculdade. O trabalho consistia numa criação livre de diálogo com o longa-metragem independente "Nós que aqui estamos por vós esperamos", o tema do trabalho proposto pelo professor em resposta ao filme era "Por que aqui estamos?". Acompanhe a seguir o primeiro poema.)
Cara
Aqui estamos,
Por mero acaso?
Aqui estamos,
Por pura sina?
Aqui estamos,
Nessa rotina?
Até o ocaso?
Aqui estamos por muito mais
Aqui estamos por aprender
Na eterna luta do saber
Sem esquecer jamais
A verdadeira essência do ser
Aqui estamos momento a momento
Para alegria, para o tormento
Aqui estamos para a vida,
Com uma passagem só de ida
Aqui estamos para aproveitar,
Num simples e singelo gesto,
Que chega a ser até modesto,
Aqui estamos no ato de viver
Augusto M. dos Anjos
20/08/03 8:53pm
Cara
Aqui estamos,
Por mero acaso?
Aqui estamos,
Por pura sina?
Aqui estamos,
Nessa rotina?
Até o ocaso?
Aqui estamos por muito mais
Aqui estamos por aprender
Na eterna luta do saber
Sem esquecer jamais
A verdadeira essência do ser
Aqui estamos momento a momento
Para alegria, para o tormento
Aqui estamos para a vida,
Com uma passagem só de ida
Aqui estamos para aproveitar,
Num simples e singelo gesto,
Que chega a ser até modesto,
Aqui estamos no ato de viver
Augusto M. dos Anjos
20/08/03 8:53pm
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Resigna-ação
(Resigna-ação é o anti-poema de Câncer da Alma)
Eu me enganei
Pior sentimento que tu, óh Solidão
Agora bem sei
É esse sentimento imundo de resignação
Já não existe mais paixão
Porém já não existe mais dor
Nesse pobre e horrendo coração
Tu seguiste teu caminho
E no auge de tua evolução
Ainda me sinto aqui sozinho
Só não lhe dou mais atenção
Pior que tu, óh Solidão
É essa resignação
Tu apodreceste no meu leito
E do teu cadáver
Nasceu esse sentimento no meu peito
Não sei se ligo ou se não
Agora tanto faz
O veneno ou o pão
Pois esse sentimento que aqui jaz
É em si aquele que carece de emoção
É em si, meu amigo, a própria Resignação
Augusto M. dos Anjos
06/12/03
11:35 am
Eu me enganei
Pior sentimento que tu, óh Solidão
Agora bem sei
É esse sentimento imundo de resignação
Já não existe mais paixão
Porém já não existe mais dor
Nesse pobre e horrendo coração
Tu seguiste teu caminho
E no auge de tua evolução
Ainda me sinto aqui sozinho
Só não lhe dou mais atenção
Pior que tu, óh Solidão
É essa resignação
Tu apodreceste no meu leito
E do teu cadáver
Nasceu esse sentimento no meu peito
Não sei se ligo ou se não
Agora tanto faz
O veneno ou o pão
Pois esse sentimento que aqui jaz
É em si aquele que carece de emoção
É em si, meu amigo, a própria Resignação
Augusto M. dos Anjos
06/12/03
11:35 am
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Câncer da Alma
(Destaquei dois poemas da ordem cronológica dessa série adolescente que eu resolvi gora publicar, para mostrar uma estrutura poética que eu mesmo criei. Ela se baseia no método científico, assim como cada tese tem a sua antítese, cada poema pode vir a ter um anti-poema, esse abaixo é o poema o anti-poema lhes apresento logo mais)
Oh, moléstia da alma , Solidão
Oh, vazio que alastra o coração
Solidão eterna companheira
Da qual vem e vai, mas nunca é passageira
Oh, câncer da alma que me desgasta
A viver sempre essa vida casta
Num mundo com tantos e tão vazio
Estão todos condenados ao eterno frio
Elas vem e vão, jamais lhes agradarão por completo
Pois estais destinado ao eterno perpétuo
Oh, pior dos sentimentos, vá
Vá que não quero tua companhia
Vá, mas vai para longe, vai para lá
Tu és maldita, vil e mesquinha
Vai te deitar com outro
Vai consumir outro corpo vazio
Sai já de meu leito e vá embora
Pois neste coração não há lugar para ti agora
Augusto M. dos Anjos
15/08/02
Oh, moléstia da alma , Solidão
Oh, vazio que alastra o coração
Solidão eterna companheira
Da qual vem e vai, mas nunca é passageira
Oh, câncer da alma que me desgasta
A viver sempre essa vida casta
Num mundo com tantos e tão vazio
Estão todos condenados ao eterno frio
Elas vem e vão, jamais lhes agradarão por completo
Pois estais destinado ao eterno perpétuo
Oh, pior dos sentimentos, vá
Vá que não quero tua companhia
Vá, mas vai para longe, vai para lá
Tu és maldita, vil e mesquinha
Vai te deitar com outro
Vai consumir outro corpo vazio
Sai já de meu leito e vá embora
Pois neste coração não há lugar para ti agora
Augusto M. dos Anjos
15/08/02
O Sentido da Vida
(um poema não tão adolescente assim)
Qual o sentido da vida?
Será pura existência,
Ou será passagem de ida?
Qual o sentido da vida?
Será que tem essência,
Ou será que é partida?
Qual o sentido da vida?
Será a busca do saber?
Será a perfeição do ser?
Será a espera para morrer?
Não!!
Qual o sentido da vida,
Se não viver!?
Augusto M. dos Anjos
07/07/03 2:13
Qual o sentido da vida?
Será pura existência,
Ou será passagem de ida?
Qual o sentido da vida?
Será que tem essência,
Ou será que é partida?
Qual o sentido da vida?
Será a busca do saber?
Será a perfeição do ser?
Será a espera para morrer?
Não!!
Qual o sentido da vida,
Se não viver!?
Augusto M. dos Anjos
07/07/03 2:13
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Peregrino da Vida
(outro poema adolescente, esse um pouco mais otimista. Poderão reparar também no final desse poema, o começo do meu hedonismo temporal poético, marcando os minutos da concepção criativa)
Andarilho sem rumo,
Seguidor da multidão,
É com você que eu falo
Pois um dia vai cair de exaustão
De tanto caminhar, caminhar, caminhar
Sem nunca chegar, sem nunca parar
Sem uma razão, para sua missão
Deixe agora a multidão,
Segue teu próprio caminho,
O caminho a que te destina
Vive tua vida, é tua sina
Retira a pedra, remenda
Remenda o sapato
E segue...
Augusto M. dos Anjos
05/03/03
10:41 pm
Andarilho sem rumo,
Seguidor da multidão,
É com você que eu falo
Pois um dia vai cair de exaustão
De tanto caminhar, caminhar, caminhar
Sem nunca chegar, sem nunca parar
Sem uma razão, para sua missão
Deixe agora a multidão,
Segue teu próprio caminho,
O caminho a que te destina
Vive tua vida, é tua sina
Retira a pedra, remenda
Remenda o sapato
E segue...
Augusto M. dos Anjos
05/03/03
10:41 pm
Pasárgada ao Reverso
(Mais um poema adolescente. Mal sabia eu que seria alvo de minha própria crítica. E hoje hei de bramar em alto e bom som "viva a Boêmia")
Deturpada sociedade que rege o mundo
Mundo de preceitos fúteis e imundos
Mundo sem igualdade, sem humildade
Humanos- sem humanidade
Mundo perfeito para os boêmios
Mas não para mim, apenas um ingênuo
Mundo perfeito para os espertos
Mas não àqueles que estão certos
Mundo de Glória e de Vitória
Mas não para eles, em vã trajetória
Peregrinos da usurpação
De vidas inúteis a procura de ação
E aqui estou eu, nesse mundo errado
Sem vida, sem malícia, apenas parado
Com a ingênua sensação da ninhez,
Deslocado
Augusto M. Anjos
15/10/02
Deturpada sociedade que rege o mundo
Mundo de preceitos fúteis e imundos
Mundo sem igualdade, sem humildade
Humanos- sem humanidade
Mundo perfeito para os boêmios
Mas não para mim, apenas um ingênuo
Mundo perfeito para os espertos
Mas não àqueles que estão certos
Mundo de Glória e de Vitória
Mas não para eles, em vã trajetória
Peregrinos da usurpação
De vidas inúteis a procura de ação
E aqui estou eu, nesse mundo errado
Sem vida, sem malícia, apenas parado
Com a ingênua sensação da ninhez,
Deslocado
Augusto M. Anjos
15/10/02
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Poema sem nome
(Resolvi tirar do baú uma série de poemas que escrevi principalmente na adolescência, mas que não tinham sido publicados ou pela preguiça de digitá-los, já que vieram antes do blog, ou pelo seu caráter essecivamente melâncólico, algo muito comum numa fase de mudanças, formação de pensamento e indignação com o mundo, como é a adolescência. Vão notar nessas próximas semanas que esses poemas tem uma forma mais primitiva, algo bem natural também, já que naquela época apenas escrevia para espairecer, sem pretensão de fazer algo bom; às vezes conseguia, na maioria do tempo não. O poema a seguir foi o primeiro que escrevi na vida, na época não coloquei nome então denominei-o agora de sem nome.)
O homem culpa a natureza de forma irracional
Culpa a natureza de apenas ser natural
E acaba levando tudo para o sentimental
Sem parar para usar o lógico-racional
Não se pode culpar a natureza
De forma tão perversa
Pois se torna até adversa
E acaba com toda a beleza
Talvez o único erro do homem seja pensar
E por isso logo vai acabar
Pois é o único animal passível de atacar seu semelhante.
Com uma facilidade abundante
O homem é um paradoxo
Pune o que não entende
Foi abençoado com a razão
Que perdição
Seu castigo é o sentimento
Pois vive em eterno tormento
Por isso penso que Deus não é perfeito
Pois sua melhor criação tem um defeito
Defeito, diferente dos outros animais, de estar longe da perfeição
É mesmo uma decepção
Augusto M Anjos
22/11/00
O homem culpa a natureza de forma irracional
Culpa a natureza de apenas ser natural
E acaba levando tudo para o sentimental
Sem parar para usar o lógico-racional
Não se pode culpar a natureza
De forma tão perversa
Pois se torna até adversa
E acaba com toda a beleza
Talvez o único erro do homem seja pensar
E por isso logo vai acabar
Pois é o único animal passível de atacar seu semelhante.
Com uma facilidade abundante
O homem é um paradoxo
Pune o que não entende
Foi abençoado com a razão
Que perdição
Seu castigo é o sentimento
Pois vive em eterno tormento
Por isso penso que Deus não é perfeito
Pois sua melhor criação tem um defeito
Defeito, diferente dos outros animais, de estar longe da perfeição
É mesmo uma decepção
Augusto M Anjos
22/11/00
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Espermograma
Pode existir episódio mais constrangedor para um homem do que passar por um espermograma? Sei que as mulheres que lerem isso dirão “isso não é nada perto de um papanicolau”, se formos comparar com as inúmeras provações pelas quais uma mulher tem de passar não haveriam folhas de papel ou kbytes suficientes, o natural privilégio masculino não está em questão, e sim um típico estigma social, expresso aqui na trivialidade e frieza de um exame laboratorial. Assim as mulheres que me perdoem mas o que estou para descrever é uma experiência não muito cotidiana.
Como em todo exame, fui recepcionado, meus dados foram inseridos no computador e fui encaminhado para a sala de espera, onde deveriam me chamar pelo nome. Os minutos passam e finalmente sou chamado. Acompanho a enfermeira até a sala da coleta. Aliás, bem diferente do imaginário de senso comum e popular, a enfermeira nunca é gostosa. Entramos na sala e ela prepara o material:
- O senhor conhece o procedimento?
Talvez por puro sadismo respondo:
- Não
- O senhor faz a assepsia peniana com esse algodão umedecido de soro, depois com esse umedecido com água, depois seca com essa gaze, abre o potinho, coleta todo o material, sem exceção, eu disse todo, fecha o potinho. Depois que tudo tiver acabado o senhor aperta esse botão e aguarda a atendente com o seu recibo. Ficou claro?
- Sim
A sala era aconchegante como um hospital, parede branca, luz branca, tudo com aquela ligeira impressão de estar tão limpo que está sujo. No meio da sala uma poltrona branca, coberta com um lençol descartável que a enfermeira estendera antes de sair. Em frente a TV, com transmissão via satélite e vídeo embutido. Ao lado um revisteiro com uma única playboy toda amassada e amarrotada dentro, que ninguém em sã consciência ousaria tocar suas páginas grudadas, nem que fosse da mulher mais gostosa do mundo; Playboy edição especial Angelina Jolie e Daniela Sarahyba fazem ménage com Gisele Bündchen. Não distante, o banheiro onde a assepsia deveria ser feita.
Tirei a camiseta e pendurei na arara. Arriei as calças. Comecei a assepsia. Incrível como o leve toque do algodão pode deixar alguém já em ponto de bala. Andando de calças arriadas com o potinho na mão, sente na poltrona e liguei a TV. Toda animação sumiu após 10 min perdidos tentando entender como colocar no canal necessário, tirando o bloqueio que a operadora coloca para canais adultos. O controle e a tela, que pareciam conter instruções em russo, me irritaram. “Foda-se”, apertei o play. Depois de um tempo estávamos prontos de novo. Eis que me ocorre, “Como coletar todo o material, não é logicamente possível.” Para quem não entendeu, vamos ao português claro, ou melhor, a física: a angulação do órgão, o potinho virado de boca para baixo logo acima do órgão angulado para captar o primeiro disparo, sim, mas a gravidade e o resto do “material” que não sairia num jato, mas logo em seguida. Ou seja, muita pontaria e agilidade com a mão esquerda, já que a direita estaria ocupada, além do desconforto da situação e do ambiente agregados. Ahh! E como não esquecer a estranheza proporcionada por estar sentado nu numa poltrona revestida com um lençol descartável, desses que lembram as fraldinhas de nenê.
Resolvi por bem tirar o resto das calças e cueca engruvinhadas no meu tornozelo. Pendurrei-as na arara. Comecei o inexorável e ritmado ato que me levara até lá para o exame. Até que não foi difícil, só o incomodo de um gesto tão privativo numa situação tão pública e formalizada.
“Pronto tudo no potinho, muito destro eu fui, ou será canhoto? Opa! Quase tudo.” “O que há de se fazer.” Fechei o potinho, me limpei, vesti as roupas, joguei o lençol no lixo e apertei o botão. 5 minutos depois me aparece a enfermeira:
- O senhor perdeu alguma coisa?
- Uma gota.
- Vou ver se o medico pode dispensá-lo, só um minuto por favor.
Mais 5 minutos.
- O senhor prefere voltar aqui outro dia e repetir o procedimento, ou assinar um termo dizendo que perdeu-se uma gota?
Era só o que me faltava.
- Você tá brincado né?
- ...
- Ta, eu assino o termo.
- Rubrique aqui e aqui para dizer que está ciente de que perdeu-se uma gota.
Como se alguém pudesse estar mais ciente do que eu.
- Seu medico será notificado.
- Ora, muito obrigado.
- Saída 2ª a direita.
Eis o cúmulo da burocracia hospitalar, assinar um termo por gozar fora do potinho. Não existe melhor definição para o caso, a não ser escroto.
Augusto M. Anjos
10/02/07 1:08pm
Como em todo exame, fui recepcionado, meus dados foram inseridos no computador e fui encaminhado para a sala de espera, onde deveriam me chamar pelo nome. Os minutos passam e finalmente sou chamado. Acompanho a enfermeira até a sala da coleta. Aliás, bem diferente do imaginário de senso comum e popular, a enfermeira nunca é gostosa. Entramos na sala e ela prepara o material:
- O senhor conhece o procedimento?
Talvez por puro sadismo respondo:
- Não
- O senhor faz a assepsia peniana com esse algodão umedecido de soro, depois com esse umedecido com água, depois seca com essa gaze, abre o potinho, coleta todo o material, sem exceção, eu disse todo, fecha o potinho. Depois que tudo tiver acabado o senhor aperta esse botão e aguarda a atendente com o seu recibo. Ficou claro?
- Sim
A sala era aconchegante como um hospital, parede branca, luz branca, tudo com aquela ligeira impressão de estar tão limpo que está sujo. No meio da sala uma poltrona branca, coberta com um lençol descartável que a enfermeira estendera antes de sair. Em frente a TV, com transmissão via satélite e vídeo embutido. Ao lado um revisteiro com uma única playboy toda amassada e amarrotada dentro, que ninguém em sã consciência ousaria tocar suas páginas grudadas, nem que fosse da mulher mais gostosa do mundo; Playboy edição especial Angelina Jolie e Daniela Sarahyba fazem ménage com Gisele Bündchen. Não distante, o banheiro onde a assepsia deveria ser feita.
Tirei a camiseta e pendurei na arara. Arriei as calças. Comecei a assepsia. Incrível como o leve toque do algodão pode deixar alguém já em ponto de bala. Andando de calças arriadas com o potinho na mão, sente na poltrona e liguei a TV. Toda animação sumiu após 10 min perdidos tentando entender como colocar no canal necessário, tirando o bloqueio que a operadora coloca para canais adultos. O controle e a tela, que pareciam conter instruções em russo, me irritaram. “Foda-se”, apertei o play. Depois de um tempo estávamos prontos de novo. Eis que me ocorre, “Como coletar todo o material, não é logicamente possível.” Para quem não entendeu, vamos ao português claro, ou melhor, a física: a angulação do órgão, o potinho virado de boca para baixo logo acima do órgão angulado para captar o primeiro disparo, sim, mas a gravidade e o resto do “material” que não sairia num jato, mas logo em seguida. Ou seja, muita pontaria e agilidade com a mão esquerda, já que a direita estaria ocupada, além do desconforto da situação e do ambiente agregados. Ahh! E como não esquecer a estranheza proporcionada por estar sentado nu numa poltrona revestida com um lençol descartável, desses que lembram as fraldinhas de nenê.
Resolvi por bem tirar o resto das calças e cueca engruvinhadas no meu tornozelo. Pendurrei-as na arara. Comecei o inexorável e ritmado ato que me levara até lá para o exame. Até que não foi difícil, só o incomodo de um gesto tão privativo numa situação tão pública e formalizada.
“Pronto tudo no potinho, muito destro eu fui, ou será canhoto? Opa! Quase tudo.” “O que há de se fazer.” Fechei o potinho, me limpei, vesti as roupas, joguei o lençol no lixo e apertei o botão. 5 minutos depois me aparece a enfermeira:
- O senhor perdeu alguma coisa?
- Uma gota.
- Vou ver se o medico pode dispensá-lo, só um minuto por favor.
Mais 5 minutos.
- O senhor prefere voltar aqui outro dia e repetir o procedimento, ou assinar um termo dizendo que perdeu-se uma gota?
Era só o que me faltava.
- Você tá brincado né?
- ...
- Ta, eu assino o termo.
- Rubrique aqui e aqui para dizer que está ciente de que perdeu-se uma gota.
Como se alguém pudesse estar mais ciente do que eu.
- Seu medico será notificado.
- Ora, muito obrigado.
- Saída 2ª a direita.
Eis o cúmulo da burocracia hospitalar, assinar um termo por gozar fora do potinho. Não existe melhor definição para o caso, a não ser escroto.
Augusto M. Anjos
10/02/07 1:08pm
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Brasil - Um País de pequeno-burgueses
(inspirado e tmabém "cansado" resolvi criar um novo marcador no meu blog. Chamará "K entre nós", e será onde comentarei notícias e assuntos do agenda setting nacional.)
Despropositada a reação de nosso Excelentíssimo Presidente Lula e seu "companheiro" de causa, o governador do Rio de Janeiro a um protesto pacífico durante um comício de inauguração de uma escola.
Esse país carece de políticos que aceitem críticas e a indignação da população a cerca da canalhagem de como as coisas tem sido levadas.
Afirma o presidente que meus queridos colegas universitários não tem consciência política. A meu ver, não há melhor oportunidade para se fazer ouvir sobre a crise educacional desse país do que na inauguração de uma escola, cito o reajuste salarial a 12 anos parado e motivo do protesto, sem falar no fracasso em que se configura a reforma universitária.
Falta de cosciência política é fechar os olhos a indignação da população, que se Cansei ou se Cansamos, não aguenta mais o lero-lero de sempre. Finalmente um pouco de espírito coletivo nessa nação tão desagregada e tudo que nossos governantes fazem é fechar os olhos. Fechar os olhos para uma crise mundial que não só afetou oBrasil como nos fez perder trilhões de reais em semanas.
Para quem lutou por democracia e igualdade uma vida inteira como sindicalista e revolucionário, nosso presidente parece ter esquecido totalmente suas origens. E falando em ideologia marxista, todo o cuidado é pouco com os pequeno-burgueses, termo que fora da doutrina vermelha pode equivaler a classe média.
Os pequeno-burgueses são o sustentáculo da opinião pública neste país. Afinal, venhamos e convenhamos o poder de influência da elite, como classe e desconsiderando instituições estabelecidas como a imprensa, nesse país é pouco significativo. Foram os pequeno-burgueses que elegeram Fernando Collor de Melo e foram eles que na última eleição elegeram Vossa Senhoria, o Todo Poderoso, Intocável e Icensurável Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porque não é só de voto de pobre (como gosta de dizer o próprio) que se fez uma candidatura eleita em 80%. Talvez com atos semelhantes os famigerados pequeno-burgueses também se cansem;é o que veremos na próxima eleição.
Augusto M. Anjos
17/08/07 1:36pm
(referente a reportagem da Folha de S. Paulo de mesma data - Caderno Brasil, pág A6)
Despropositada a reação de nosso Excelentíssimo Presidente Lula e seu "companheiro" de causa, o governador do Rio de Janeiro a um protesto pacífico durante um comício de inauguração de uma escola.
Esse país carece de políticos que aceitem críticas e a indignação da população a cerca da canalhagem de como as coisas tem sido levadas.
Afirma o presidente que meus queridos colegas universitários não tem consciência política. A meu ver, não há melhor oportunidade para se fazer ouvir sobre a crise educacional desse país do que na inauguração de uma escola, cito o reajuste salarial a 12 anos parado e motivo do protesto, sem falar no fracasso em que se configura a reforma universitária.
Falta de cosciência política é fechar os olhos a indignação da população, que se Cansei ou se Cansamos, não aguenta mais o lero-lero de sempre. Finalmente um pouco de espírito coletivo nessa nação tão desagregada e tudo que nossos governantes fazem é fechar os olhos. Fechar os olhos para uma crise mundial que não só afetou oBrasil como nos fez perder trilhões de reais em semanas.
Para quem lutou por democracia e igualdade uma vida inteira como sindicalista e revolucionário, nosso presidente parece ter esquecido totalmente suas origens. E falando em ideologia marxista, todo o cuidado é pouco com os pequeno-burgueses, termo que fora da doutrina vermelha pode equivaler a classe média.
Os pequeno-burgueses são o sustentáculo da opinião pública neste país. Afinal, venhamos e convenhamos o poder de influência da elite, como classe e desconsiderando instituições estabelecidas como a imprensa, nesse país é pouco significativo. Foram os pequeno-burgueses que elegeram Fernando Collor de Melo e foram eles que na última eleição elegeram Vossa Senhoria, o Todo Poderoso, Intocável e Icensurável Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porque não é só de voto de pobre (como gosta de dizer o próprio) que se fez uma candidatura eleita em 80%. Talvez com atos semelhantes os famigerados pequeno-burgueses também se cansem;é o que veremos na próxima eleição.
Augusto M. Anjos
17/08/07 1:36pm
(referente a reportagem da Folha de S. Paulo de mesma data - Caderno Brasil, pág A6)
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
A Pescaria
Dia manso,
Na beria do açude,
E o mosquito zumbi.
zzzzz. zzzz. zzzz,
E o dia passa,
E na vara nada,
E a pomba fogo apagou canta,
Fogo pagooo, fogo pagooo,
E chove espaçado,
Pingando de leve na beira d'água,
Bem de leve . . .
E a barriga ronca,
E nada.
Augusto M. dos Anjos
31/12/06
12:07 pm
Na beria do açude,
E o mosquito zumbi.
zzzzz. zzzz. zzzz,
E o dia passa,
E na vara nada,
E a pomba fogo apagou canta,
Fogo pagooo, fogo pagooo,
E chove espaçado,
Pingando de leve na beira d'água,
Bem de leve . . .
E a barriga ronca,
E nada.
Augusto M. dos Anjos
31/12/06
12:07 pm
A Brisa
Na orla da praia a meditar
Eis que vem aquele cheiro salgado
Um ar meio mareado
Chega até o pulmão esquentar
Respiro fundo
O cheiro do mar
Sem pensar
viajo o mundo
Tão logo chego a meditar
Deve ser a brisa do mar.
Augusto M dos Anjos
09/12/06
12:38 am
Eis que vem aquele cheiro salgado
Um ar meio mareado
Chega até o pulmão esquentar
Respiro fundo
O cheiro do mar
Sem pensar
viajo o mundo
Tão logo chego a meditar
Deve ser a brisa do mar.
Augusto M dos Anjos
09/12/06
12:38 am
Serie IgNobel 2006 - Nem sempre a vitoria cheira bem
(Sei que estou meio atrasado, mas aqui está o primeiro conto basedado na reportagem dos ganhadores do Ignobel em 2006. Divirtam-se)
Nem sempre a vitória cheira bem
O Dr. Jacques Molié fora enviado como representante da Unesco à ilha de Bora-bora para erradicar uma terrível epidemia de malária. PHD pela universidade de Souborné, o doutor Jacques Molié era especialista no estudo de sistemas erradicativos de doenças letalmente infecto contagiosas. O doutor Jacques Molié já tinha erradicado o sarampo no Japão, a esquistossomose na Bolívia, a febre amarela no Zimbábue e a hipocrisia no palácio do planalto; e agora, pelo seu extenso e magnífico currículo estava dentro de um avião das Nações Unidas com destino à pequena ilha do Atlântico, para uma última missão antes de sua aposentadoria. Quem sabe dessa vez a missão não lhe rendesse a tão esperada Legião de Honra, ou quizá o tão cobiçado prêmio Nobel de biologia.
O Dr. Jacques Molié tinha um estranho método de proceder os seus estudos, o qual gostava de chamar de Biologia Antropológica. Seus procedimentos consistiam em entrar na rotina do povo nativo, experenciar a vida nativa numa pesquisa etnográfica, se possível contrair a doença para entender um meio de erradica-la.
Assim o fez, conversou com uma família e se instalou em sua cabana. Pela manhã iria vivenciar o típico dia de trabalho de um adulto bora-borano.
Pelo adiantado da hora pediu licença a família hospedeira e foi se instalar em sua rede. A noite não foi nada boa, alem de incessantes e insuportáveis mosquitos e pernilongos, a zumbir e picar, havia o fato de que dormir em rede não é um hábito muito usual para nosso amigo europeu ocidental, e portanto desconfortável.
Acordou pela manhã com milhares de feridas e picadas pelo corpo e uma ligeira dor nas costas. O café estava posto, banana e broa de milho com feijão, acompanhado de café preto, tipicamente bora-borense. Comeu. Vestiu os sapatos de couro de lagarto, confeccionados pela própria dona da casa, e foi com o chefe da família para a cidade trabalhar engraxando sapatos dos turistas e vendendo colares de conchas ou trocando sal por alimentos.
A cidade ficava à 15 km e como a família não tinha carro e o transporte público era precário deveriam ir a pé. Jacques nunca tinha feito um estudo tão desgastante, a vida desses nativos era dura e sofrida, mas Jacque não reparava neles traços de infelicidade. Poderia dizer até que eram felizes? Quem sabe?
Depois de um duro dia de trabalho deveria dedicar três horas ao menos à pesquisa. No entanto, decidiu primeiramente escrever para a mulher na França, pedindo que lhe enviasse brioches e queijo lindenburger. Não agüentaria por muito tempo aquele café da manhã, já que tinha o apurado paladar da alta gastronomia francesa.
Tirou os sapatos; escreveu a carta, começou a verificar depois em seus livros o ciclo de vida do mosquito hospedeiro e os principais aspectos do contágio da malária. Percebeu que as fêmeas, que em determinado momento crucial para o contágio deveriam procurar um lugar para depositar seus ovos, sentia forte atração por odores acentuados e característicos. Quem sabe aí a chave para um possível sistema de erradicação. Foi jantar.
A casa fedia ao chulé dos dois homens que trabalharam o dia inteiro com sol a pino e andaram 30 km para locomover-se do vilarejo a cidade e vice-versa. A mesa, rodeada de mosquitos naquele mormaço tropical tinha posta um ensopado de peixe de couro da lagoa e crustáceos da baía. Comeu o que pode da mistura com forte tempero nativo, com uma colher em uma mão, enquanto afastava com a outra os mosquitos da cumbuca. Foi deitar-se exausto, premeditando a horrível noite de sono.
Ao acordar, colocou logo as botas e sentiu um leve incomodo na palma do pé. Tirou o sapato para verificar o que era. Uma fêmea do mosquito da malária tinha escolhido seu sapato como repositório de ovos e no exato momento em que vestiu a bota, esmagou a pequena criatura, que em legítima defesa, num último ato desesperado, picou seu agressor, transmitindo-lhe a temida praga.
Agora tinha um motivo a mais para encontrar um sistema de erradicação contagiosa. O Dr. Jacques Mole não se abalou com o ocorrido. Ao invés disso observou atentamente o fato, pensando o porque o mosquito tinha escolhido seu calçado para colocar os ovos. Foi quando lembrou-se do que tinha lido a noite passada, odores fortes característicos, é o que dissera o livro. Teria o mosquito fêmea sido atraído por seu chulé? Era preciso comprovar empiricamente.
Não foi trabalhar, ao invés disso pegou todos os calçados do casebre que continham chulé, colocando-os em seu quarto, e observou o comportamento dos mosquitos o resto do dia. De fato, conseguiu provar, após 10 pares de calçados, 6 picadas, uma dor de cabeça, e uma incrível resistência adquirida ao cheiro de chulé, que o mosquito fêmea da malária era atraído pelo odor dos sapatos. Restava agora achar um meio de acabar com os mosquitos, ou com o chulé; uma pomada quem sabe; um estoque infindável de pó Granado cedido pela ONU. Alguma coisa pratica e rápida, mas o que?
Na manhã seguinte, na hora do café, a dona da cabana avisou ao Dr. Molié que sua encomenda tinha chegado. Jacques mal pode esperar, abriu o pacote e viu seus brioches e o queijo lindenberg, fechou os olhos e sentiu o cheiro do seu café da manhã a la francesa. Por um instante não entendeu, “esse cheiro me é familiar”, “É o cheiro do meu quarto”, “meu café tem o cheiro do meu quarto” “Voilà! O queijo lindenberg cheira chulé” “Allor, é essa minha chave para o sistema.”.
O Dr. Molié pediu a ONU uma provisão de uma tonelada de queijo lindenberg, criou um mosquiteiro que tinha como chamariz muito queijo lindenberg. Foi assim que o Dr. Jacques Molié erradicou a malária em Bora-bora, saiu nos principais jornais do mundo, escreveu sua tese, e com ela ganhou um...
Ignobel.
Pois é a comunidade científica achou que era piada e premiou Molié com algo que vai tornar a aposentadoria a melhor das opções. Hoje o Dr. Jacques Molié vive em sua casa de praia, em Bia Ritz, onde toma diariamente seus medicamentos contra malária.
Augusto M. Anjos
08/10/06
21:16
Nem sempre a vitória cheira bem
O Dr. Jacques Molié fora enviado como representante da Unesco à ilha de Bora-bora para erradicar uma terrível epidemia de malária. PHD pela universidade de Souborné, o doutor Jacques Molié era especialista no estudo de sistemas erradicativos de doenças letalmente infecto contagiosas. O doutor Jacques Molié já tinha erradicado o sarampo no Japão, a esquistossomose na Bolívia, a febre amarela no Zimbábue e a hipocrisia no palácio do planalto; e agora, pelo seu extenso e magnífico currículo estava dentro de um avião das Nações Unidas com destino à pequena ilha do Atlântico, para uma última missão antes de sua aposentadoria. Quem sabe dessa vez a missão não lhe rendesse a tão esperada Legião de Honra, ou quizá o tão cobiçado prêmio Nobel de biologia.
O Dr. Jacques Molié tinha um estranho método de proceder os seus estudos, o qual gostava de chamar de Biologia Antropológica. Seus procedimentos consistiam em entrar na rotina do povo nativo, experenciar a vida nativa numa pesquisa etnográfica, se possível contrair a doença para entender um meio de erradica-la.
Assim o fez, conversou com uma família e se instalou em sua cabana. Pela manhã iria vivenciar o típico dia de trabalho de um adulto bora-borano.
Pelo adiantado da hora pediu licença a família hospedeira e foi se instalar em sua rede. A noite não foi nada boa, alem de incessantes e insuportáveis mosquitos e pernilongos, a zumbir e picar, havia o fato de que dormir em rede não é um hábito muito usual para nosso amigo europeu ocidental, e portanto desconfortável.
Acordou pela manhã com milhares de feridas e picadas pelo corpo e uma ligeira dor nas costas. O café estava posto, banana e broa de milho com feijão, acompanhado de café preto, tipicamente bora-borense. Comeu. Vestiu os sapatos de couro de lagarto, confeccionados pela própria dona da casa, e foi com o chefe da família para a cidade trabalhar engraxando sapatos dos turistas e vendendo colares de conchas ou trocando sal por alimentos.
A cidade ficava à 15 km e como a família não tinha carro e o transporte público era precário deveriam ir a pé. Jacques nunca tinha feito um estudo tão desgastante, a vida desses nativos era dura e sofrida, mas Jacque não reparava neles traços de infelicidade. Poderia dizer até que eram felizes? Quem sabe?
Depois de um duro dia de trabalho deveria dedicar três horas ao menos à pesquisa. No entanto, decidiu primeiramente escrever para a mulher na França, pedindo que lhe enviasse brioches e queijo lindenburger. Não agüentaria por muito tempo aquele café da manhã, já que tinha o apurado paladar da alta gastronomia francesa.
Tirou os sapatos; escreveu a carta, começou a verificar depois em seus livros o ciclo de vida do mosquito hospedeiro e os principais aspectos do contágio da malária. Percebeu que as fêmeas, que em determinado momento crucial para o contágio deveriam procurar um lugar para depositar seus ovos, sentia forte atração por odores acentuados e característicos. Quem sabe aí a chave para um possível sistema de erradicação. Foi jantar.
A casa fedia ao chulé dos dois homens que trabalharam o dia inteiro com sol a pino e andaram 30 km para locomover-se do vilarejo a cidade e vice-versa. A mesa, rodeada de mosquitos naquele mormaço tropical tinha posta um ensopado de peixe de couro da lagoa e crustáceos da baía. Comeu o que pode da mistura com forte tempero nativo, com uma colher em uma mão, enquanto afastava com a outra os mosquitos da cumbuca. Foi deitar-se exausto, premeditando a horrível noite de sono.
Ao acordar, colocou logo as botas e sentiu um leve incomodo na palma do pé. Tirou o sapato para verificar o que era. Uma fêmea do mosquito da malária tinha escolhido seu sapato como repositório de ovos e no exato momento em que vestiu a bota, esmagou a pequena criatura, que em legítima defesa, num último ato desesperado, picou seu agressor, transmitindo-lhe a temida praga.
Agora tinha um motivo a mais para encontrar um sistema de erradicação contagiosa. O Dr. Jacques Mole não se abalou com o ocorrido. Ao invés disso observou atentamente o fato, pensando o porque o mosquito tinha escolhido seu calçado para colocar os ovos. Foi quando lembrou-se do que tinha lido a noite passada, odores fortes característicos, é o que dissera o livro. Teria o mosquito fêmea sido atraído por seu chulé? Era preciso comprovar empiricamente.
Não foi trabalhar, ao invés disso pegou todos os calçados do casebre que continham chulé, colocando-os em seu quarto, e observou o comportamento dos mosquitos o resto do dia. De fato, conseguiu provar, após 10 pares de calçados, 6 picadas, uma dor de cabeça, e uma incrível resistência adquirida ao cheiro de chulé, que o mosquito fêmea da malária era atraído pelo odor dos sapatos. Restava agora achar um meio de acabar com os mosquitos, ou com o chulé; uma pomada quem sabe; um estoque infindável de pó Granado cedido pela ONU. Alguma coisa pratica e rápida, mas o que?
Na manhã seguinte, na hora do café, a dona da cabana avisou ao Dr. Molié que sua encomenda tinha chegado. Jacques mal pode esperar, abriu o pacote e viu seus brioches e o queijo lindenberg, fechou os olhos e sentiu o cheiro do seu café da manhã a la francesa. Por um instante não entendeu, “esse cheiro me é familiar”, “É o cheiro do meu quarto”, “meu café tem o cheiro do meu quarto” “Voilà! O queijo lindenberg cheira chulé” “Allor, é essa minha chave para o sistema.”.
O Dr. Molié pediu a ONU uma provisão de uma tonelada de queijo lindenberg, criou um mosquiteiro que tinha como chamariz muito queijo lindenberg. Foi assim que o Dr. Jacques Molié erradicou a malária em Bora-bora, saiu nos principais jornais do mundo, escreveu sua tese, e com ela ganhou um...
Ignobel.
Pois é a comunidade científica achou que era piada e premiou Molié com algo que vai tornar a aposentadoria a melhor das opções. Hoje o Dr. Jacques Molié vive em sua casa de praia, em Bia Ritz, onde toma diariamente seus medicamentos contra malária.
Augusto M. Anjos
08/10/06
21:16
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