Uma vez fechei meus olhos para o Mundo.
Fechei meus olhos por um dia a fim de não ver o que estava na minha frente.
Com a esperança de que haveriam de vir outros olhos em mim para me guiar na escuridão. Olhos que já não carecem ver. Olhos da alma.
Esses não vieram. Ou se vieram eram fracos perante alguém que por muito já se acostumara a usar somente os olhos comuns de visão turva.
E assim caminhei na escuridão por caminhos antes já conhecidos, a flanar numa cidade sem cor, mas com vida.
Fechei meus olhos para o mundo a fim de ver melhor, de escutar melhor, de sentir melhor, de crer melhor.Fechei os olhos e ignorando, segui. Com a mão em riste segui rotina pela vida, pelo dia, pensando “outros olhos hão de vir”.
E vieram. No abandono da escuridão, com a mão em riste a tatear o nada, encontrei uma mão amiga. Não uma, várias, dispostas a me ajudar no que quer que fosse. Dispostas a me guiar, a ouvir, a falar, a enxergar. E já não mais houve escuridão.
E ainda que meus olhos fechados se abrissem eu não poderia ver, tamanha a luz daqueles que me guiavam com alegria. Na escuridão reencontrei amigos que já supunha conhecer. Mas para eles olhei de outra forma. Olhei suas vozes doces em nuances de sentimento. Olhei seus trejeitos e risadas enquanto se movimentavam ao redor. Olhei seu íntimo, e sua luz. E nela pude ver como nunca.
E já noutro dia, quando a luz sob minha retina refletia um novo mundo, já não mais escuro, só o que pude me lembrar eram deles, e cenas vieram em minha cabeça nitidamente como se nunca tivesse havido escuridão.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
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