Era fevereiro. Jorge no meio da multidão do bloco procurava seus amigos com 3 cervejas na mão. O Monobloco tocava incessantemente e a massa de cabeças dançava frenética. Impossível achar alguém. Ou diria impossível achar quem não interessa. Jorge olha para o lado e a vê. Morena, gostosa, rebola como nunca, seu grande quadril balançando ao som da música era o que a tornava mais provocante. E o sorriso, é claro, o sorriso de safada inconfundível. Jorge se aproxima, começa a dançar, a dança esquenta, o casal esquenta, o quadril dela já rebola roçando no pau de Jorge. A coisa vai esquentando, esquentando. Entre beijos e mordidinhas no lábio inferior Jorge tira ela da multidão. Eles encostam na parede. Ela morde o pescoço de Jorge enquanto enfia a mão por dentro de sua calça, agarrando seu pau com vontade. Jorge aperta suas nádegas redondas e suculentas de mulata e lambe sua orelha. “Meu hotel não fica longe daqui.” diz Jorge. “Não posso. Tenho que voltar antes das 11h, meu pai vai ficar preocupado.” “É carnaval, ele pode esperar mais um pouquinho” dizendo isso puxa a coxa dela pra cima e aperta sexo contra sexo pra que ela possa sentir ainda mais sua rigidez. “Não posso. Me encontre aqui amanhã antes do bloco começar.” “Não sei seu nome...” mas ela já havia ido, por entre a multidão se perdido.
No dia seguinte lá estava Jorge esperando ansiosamente por ela. O bloco começou e ele estava perdendo as esperanças, achando que tinha levado um bolo, quando alguém o abraça pela cintura e passa a mão no seu pau. Ele se vira, é ela. Não diz oi, não espera, ela lança a língua pra dentro de sua boca e põe a mão dele sobre o peito esquerdo. Ele sente aquele peito macio, perfeitamente redondo, já com as aureolas em riste. Ela sente imediatamente o volume que cresce na calça dele e agarra seu pau por cima da calça jeans. “Joana, meu nome é Joana.” “Jorge”. Joana leva Jorge para um beco escuro, levanta a blusa e deixa que ele chupe seus peitos. Ela abre a calça de Jorge, abaixando o zíper bem devagar. Sente o membro duro em sua mão e entre beijos suaves e quentes vai movendo a mão lentamente para cima e pra baixo. Jorge vai enlouquecendo de prazer. Os beijos vão ficando mais intensos e os movimentos da mão mais rápidos. Jorge abre o botão da calça de Joana e abaixa o ziper. Mas ela para. “Sem pressa. garotão.” “Ah qual é? você não tá curtindo?” “To” “Então, podemos curtir mais” “Eu sou tímida” “Mesmo? Não parece” “Tive uma educação muito rigida” “Eu percebo, aprendeu direitinho a deixar rígido, mas assim você me deixa louco. Quero te comer, agora.” “Você chega lá. Eu preciso voltar agora, devem tá procurando por mim e hoje meu pai tá no bloco.” “E você vai me deixar assim nessa situação?” “Ei, você consegue acabar sozinho, não? Te vejo amanhã aqui no mesmo horário.” Jorge guarda o pau duro de volta na cueca e fecha o feixo da calça. “Não acredito”. Ele volta pro bloco mas não consegue pensar em outra coisa se não no corpo de Joana, na boca de Joana, na bunda de Joana, imaginando como deve ser macia, quente, úmida e apertada a buceta de Joana.
Terça. dia de Carnaval. Jorge já não sabe mais nem o que é o bloco. Ele está há uma hora na entrada do beco, vendo a multidão passar. De repente uma bunda fenomenal vestida numa bermuda jeans fincada pára do seu lado. A dona da bunda veste uma máscara, ela começa a dançar funk e a bunda, digamos acidentalmente, se esfrega no pau de Jorge. Ele toca a enorme bunda colocando as duas mãos na cintura da mulher. Ela se vira e começa a se roçar na perna dele esfregando todo o seu corpo nele. Ela tira a máscara, é Joana. “Oi” diz ele “shhhh” faz ela colocando o dedo na frente dos lábios carnudos e empurrando lentamente ele pra dentro do beco. E tudo recomeça, os excitantes beijos, as leves lambidinhas na orelha, os corpos se tocando, as mãos no sexo sedentas por mais. Joana ajoelha, na sua frente o pau duro de Jorge. Ela agarra, passa a língua devagar na glote, Jorge arrepia. Satisfeita com o resultado, Joana passa a lingua repetidas vezes em movimentos circulares em volta da cabeça. Com seus lábios carnudos beija levemente, englobando com os lábios toda a cabeça e escorregando os lábios devagar. Os lábios carnudos agora escorregam pela lateral do membro, chupando de lado todo o comprimento do pau de cima a baixo e de baixo a cima. Mais uma vez mantém os lábios carnudos em volta da cabeça e dentro da boca ela vai roçando devagar a lingua na glote. Ela desce devagar, engolindo com perfeição o membro. Ela desce até seu nariz encostar na pubi de Jorge e ele pode sentir a cabeça roçando nas amídalas dela enquanto ela segura a respiração. Ele geme de prazer. Ela tira o membro da boca e começa um movimento rápido com a mão enquanto ofegante, volta a respirar normalmente. De novo a boca ela sobe e desce a cabeça com seus lábios escorregando e envolvendo todo o membro em movimentos rápidos. Jorge está enloquecendo. Ela levanta tira seu shorts. De fio dental ela vira de costas e começa a roçar o pau duro de jorge entre suas grandes nádegas. Ele agarra aquela maravilhosa bunda e continua o movimento, não vai aguentar por muito tempo, ele vai gozar. Num longo gemido ele se prepara para o orgasmo quando mais uma vez ela para. “Calma lá. Assim você vai me sujar toda e aí como eu fico?” “Sobe comigo pro quarto do hotel?” “É tarde. O que digo pro meu pai?” “Diz pra ele que você vai dormir na casa de uma amiga depois que o bloco acabar. manda um SMS” “Não, faz assim me diga o seu hotel, amanhã de manhã eu apareço no seu quarto. Assim ele não vai suspeitar de nada.” “Ok. Fica na Av. Atlântica 75, quarto 34. Vou te esperar” “Amanhã as 6 estarei lá. Aproveite a festa” Falando isso ela da um selinho nele e some.
A noite passa. Jorge está deitado na cama sem sono. O sol vai saindo no horizonte e a escuridão vai cedendo. Ceder. É só o que ele tem feito se submentendo aos complexos jogos sexuais de Joana. Mas hoje será diferente, hoje quem vai ceder é ela. Já não é caranval a cidade acorda silenciosa e os garis lá fora limpam a rua cheia de confete e serpentina quando o interfone toca. Ela está subindo. Tomado pelo desejo ele deixa a porta entre aberta e deita nu na cama. Ela entra. Fatal como nunca, sem emitir palavra ela joga as roupas no chão e engatinha por cima dele de calcinha e sotiã. Ela pega óleo de massagem sobre a comoda do hotel e se esfrega toda nele espalhando o olho com seu corpo moreno e curvilínio. Jorge já não suporta mais. Vira-se por cima dela, prendendo-a na cama com força, arranca o sotiã e começa uma espanhola em seus fartos seios. delirante de desejo, com o pau mais duro que nunca, louco pra possui-la, pra estar dentro dela e meter com toda força, num ímpeto de sede carnal ele arranca a calcinha dela com os dentes.
Eis que a surpresa inevitável acontece, sobe um cheiro fétido, nauseabundo e putrefato como Jorge nunca tinha sentido antes. Ele segura o vômito. Inevitável ela percebeu. E como não poderia, o jorjinho já não está mais pra festa. “Que foi aconteceu alguma coisa. Você esperou tanto, agora não quer mais?” “ Esperei todo o carnaval, mas ainda falta 40 dias pra páscoa. Suspende o bacalhau.” Tapa estralado. Porta batendo. Mais um carnaval chega ao fim.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O vizinho
Mudara recentemente para Finekau número 5. Um modesto prédio de apartamento genimando com uma igreja católica.
Era jovem, iria estudar na universidade próxima e sentia que seria um bom período, fora de casa.
O que não esperava era ter como vizinho alguém tão inconvenientemente chato, como Deus.
Tudo começou com uma visita do padre:
- Olá.
- Olá. em que posso ajudá-lo?
- Bem como deve ter percebido eu sou o padre da paróquia aqui ao lado e gostaria de lhe dar as boas vidas em nome do Senhor.
- Ora, obrigado.
- Não agradeça a mim, agradeça a ele, sou apenas um inquilino na casa dele. E aliás você também o é, pois esse humilde conjunto habitacional é propriedade da Santa Madre Igreja.
- Hum. Ok então. Posso ajudar em mais alguma coisa?
- Prometa pra mim que vai orar agradecendo a ele diretamente.
- Como quiser, padre. Mais alguma coisa?
- Não, é só meu filho. Tenha um bom dia.
- Bom dia pra você também, padre.
E antes que fechasse a porta.
- E seja um bom cristão, viu. O inquilino ao lado está de olho.
Depois dessa estranha e esquizofrênica conversa ele achara que não seria mais incomodado. Doce ilusão:
- Oi, padre.
- Olá, meu filho.
- O que o traz aqui novamente?
- Meu filho, veja bem, por mais que eu aprecie o bom som do heavy metal, essa não é uma música adequada, o Senhor ficará descontente, isso não é uma música sadia para um jovem cristão como você e além do mais a música alta pode atrapalhar a prece dos paroquianos.
- Hum. Ok, padre, irei abaixar o volume.
- Seria mais adequado se você simplesmente desligasse o som. Ele apreciaria muito. E cá entre nós, (falou o padre entre cochichos) ele não gosta muito de ser contrariado se é que me entende.
- Huuum. Entendo perfeitamente, padre. (falando entre dentes)
- Obrigado meu filho, Deus te abençoe. Tchau.
A porta se fecha. Aquilo estava começando a ficar perturbador. Mas como se não bastasse a coisa não parou por aí. Era domingo de manhã. Aproximadamente 11 horas, quando a campainha tocou, ainda meio enjooado da noite passada ele abrira a porta:
- Ai meu deus, é o senhor de novo, padre. O que foi dessa vez?
- Veja como fala menino. Venho em nome Dele. Ele gostaria de saber onde o senhor estava hoje de manhã.
- Até o presente momento estava dormindo. por quê?
- Era de se esperar que um jovenzinho como você fizesse uma visita ao Propretário ao lado pelo menos uma vez por semana. Preferencialmente aos domingos de manhã, quando estamos abertos para visitas e quando gentilmente lemos as palavras que vieram Dele.
- Ora padre, faça me o favor...
- Misericórdia, meu filho. Não é a toa que não veio a missa. Com um bafo desses deve ter bebido a um bar inteiro a noite passada e está agora sentindo as chagas do pecado boêmio. Espero que reconsidere suas atitudes perante Ele e venha nos visitar semana que vêm. Sóbrio.
- Passar bem, padre.
- Meu filho, só pra lembrar, a bebida é coisa do vizinho de baixo.
- Adeus padre.
- E só a Ele meu filho, só a Ele.
A situação estava se tornando insuportável. Sem dúvida nenhuma Deus era o pior vizinho que ele já tinha tido. Mas o fim ainda está por vir:
- Ora que surpresa vê-lo por aqui, meu filho.
- Esse é o corredor do meu prédio e essa é a porta do meu apartamento. Não vejo como pode ser uma surpresa me encontrar aqui.
- É sempre uma satisfação, meu filho.
- Pelo menos alguém está satisfeito.
- Hum. E certamente não é nosso Propretário. Ele tem estado bastante preocupado com seu comportamento, rapaizinho. Precisamos conversar seriamente. Posso entrar.
- Não, na verdade não pode. Como pode ver estarei ocupado nos próximos minutos.
Disse ele insinuando a garota que segurava sua mão. O padre olhou pra ela de cima a baixo, notando sua saia curta e sua blusa decotada. E então disse o padre olhando pra ela:
- Ora, certamente nosso rapaz aqui esqueceu sua educação cristã e não fez questão de nos apresentar. Como vai minha filha?
- Vou bem.
- Não pude deixar de notar sua indumentária. Como ganha a vida minha jovem?
- Chega padre, já basta. Volte pra sua Igreja. Seu Propretário o aguarda.
- Cuidado com quem andas, meu jovem. O Pecado pagamos na outra vida, mas há mazelas que contraímos nessa, se é que me entende.
- Sei me proteger padre, obrigado.
- Esses artifícios sintéticos criados pelo homem não são bem vistos por Ele. Espero que compreenda em que isso acarreta.
- Com todo respeito, padre, vai pro inferno.
- Luxúria, levianez, blasfêmia, parece que você está com o passaporte pronto meu filho.
- Vá antes, o diabo que te carregue.
- Basta meu filho, vou pedir a ele sua excomunhão. Ele não merece sua visita na casa lá de cima. E espero que o senhor se arranje pois tem 5 dias pra sair.
Expulso e excomungado. O que não tem remédio, remediado está. Ele se mudaria em breve pra outro apartamento próximo. Quem sabe terá tido mais sorte na casa nova com a vizinhança.
Era jovem, iria estudar na universidade próxima e sentia que seria um bom período, fora de casa.
O que não esperava era ter como vizinho alguém tão inconvenientemente chato, como Deus.
Tudo começou com uma visita do padre:
- Olá.
- Olá. em que posso ajudá-lo?
- Bem como deve ter percebido eu sou o padre da paróquia aqui ao lado e gostaria de lhe dar as boas vidas em nome do Senhor.
- Ora, obrigado.
- Não agradeça a mim, agradeça a ele, sou apenas um inquilino na casa dele. E aliás você também o é, pois esse humilde conjunto habitacional é propriedade da Santa Madre Igreja.
- Hum. Ok então. Posso ajudar em mais alguma coisa?
- Prometa pra mim que vai orar agradecendo a ele diretamente.
- Como quiser, padre. Mais alguma coisa?
- Não, é só meu filho. Tenha um bom dia.
- Bom dia pra você também, padre.
E antes que fechasse a porta.
- E seja um bom cristão, viu. O inquilino ao lado está de olho.
Depois dessa estranha e esquizofrênica conversa ele achara que não seria mais incomodado. Doce ilusão:
- Oi, padre.
- Olá, meu filho.
- O que o traz aqui novamente?
- Meu filho, veja bem, por mais que eu aprecie o bom som do heavy metal, essa não é uma música adequada, o Senhor ficará descontente, isso não é uma música sadia para um jovem cristão como você e além do mais a música alta pode atrapalhar a prece dos paroquianos.
- Hum. Ok, padre, irei abaixar o volume.
- Seria mais adequado se você simplesmente desligasse o som. Ele apreciaria muito. E cá entre nós, (falou o padre entre cochichos) ele não gosta muito de ser contrariado se é que me entende.
- Huuum. Entendo perfeitamente, padre. (falando entre dentes)
- Obrigado meu filho, Deus te abençoe. Tchau.
A porta se fecha. Aquilo estava começando a ficar perturbador. Mas como se não bastasse a coisa não parou por aí. Era domingo de manhã. Aproximadamente 11 horas, quando a campainha tocou, ainda meio enjooado da noite passada ele abrira a porta:
- Ai meu deus, é o senhor de novo, padre. O que foi dessa vez?
- Veja como fala menino. Venho em nome Dele. Ele gostaria de saber onde o senhor estava hoje de manhã.
- Até o presente momento estava dormindo. por quê?
- Era de se esperar que um jovenzinho como você fizesse uma visita ao Propretário ao lado pelo menos uma vez por semana. Preferencialmente aos domingos de manhã, quando estamos abertos para visitas e quando gentilmente lemos as palavras que vieram Dele.
- Ora padre, faça me o favor...
- Misericórdia, meu filho. Não é a toa que não veio a missa. Com um bafo desses deve ter bebido a um bar inteiro a noite passada e está agora sentindo as chagas do pecado boêmio. Espero que reconsidere suas atitudes perante Ele e venha nos visitar semana que vêm. Sóbrio.
- Passar bem, padre.
- Meu filho, só pra lembrar, a bebida é coisa do vizinho de baixo.
- Adeus padre.
- E só a Ele meu filho, só a Ele.
A situação estava se tornando insuportável. Sem dúvida nenhuma Deus era o pior vizinho que ele já tinha tido. Mas o fim ainda está por vir:
- Ora que surpresa vê-lo por aqui, meu filho.
- Esse é o corredor do meu prédio e essa é a porta do meu apartamento. Não vejo como pode ser uma surpresa me encontrar aqui.
- É sempre uma satisfação, meu filho.
- Pelo menos alguém está satisfeito.
- Hum. E certamente não é nosso Propretário. Ele tem estado bastante preocupado com seu comportamento, rapaizinho. Precisamos conversar seriamente. Posso entrar.
- Não, na verdade não pode. Como pode ver estarei ocupado nos próximos minutos.
Disse ele insinuando a garota que segurava sua mão. O padre olhou pra ela de cima a baixo, notando sua saia curta e sua blusa decotada. E então disse o padre olhando pra ela:
- Ora, certamente nosso rapaz aqui esqueceu sua educação cristã e não fez questão de nos apresentar. Como vai minha filha?
- Vou bem.
- Não pude deixar de notar sua indumentária. Como ganha a vida minha jovem?
- Chega padre, já basta. Volte pra sua Igreja. Seu Propretário o aguarda.
- Cuidado com quem andas, meu jovem. O Pecado pagamos na outra vida, mas há mazelas que contraímos nessa, se é que me entende.
- Sei me proteger padre, obrigado.
- Esses artifícios sintéticos criados pelo homem não são bem vistos por Ele. Espero que compreenda em que isso acarreta.
- Com todo respeito, padre, vai pro inferno.
- Luxúria, levianez, blasfêmia, parece que você está com o passaporte pronto meu filho.
- Vá antes, o diabo que te carregue.
- Basta meu filho, vou pedir a ele sua excomunhão. Ele não merece sua visita na casa lá de cima. E espero que o senhor se arranje pois tem 5 dias pra sair.
Expulso e excomungado. O que não tem remédio, remediado está. Ele se mudaria em breve pra outro apartamento próximo. Quem sabe terá tido mais sorte na casa nova com a vizinhança.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ensaio sobre a Visão
Uma vez fechei meus olhos para o Mundo.
Fechei meus olhos por um dia a fim de não ver o que estava na minha frente.
Com a esperança de que haveriam de vir outros olhos em mim para me guiar na escuridão. Olhos que já não carecem ver. Olhos da alma.
Esses não vieram. Ou se vieram eram fracos perante alguém que por muito já se acostumara a usar somente os olhos comuns de visão turva.
E assim caminhei na escuridão por caminhos antes já conhecidos, a flanar numa cidade sem cor, mas com vida.
Fechei meus olhos para o mundo a fim de ver melhor, de escutar melhor, de sentir melhor, de crer melhor.Fechei os olhos e ignorando, segui. Com a mão em riste segui rotina pela vida, pelo dia, pensando “outros olhos hão de vir”.
E vieram. No abandono da escuridão, com a mão em riste a tatear o nada, encontrei uma mão amiga. Não uma, várias, dispostas a me ajudar no que quer que fosse. Dispostas a me guiar, a ouvir, a falar, a enxergar. E já não mais houve escuridão.
E ainda que meus olhos fechados se abrissem eu não poderia ver, tamanha a luz daqueles que me guiavam com alegria. Na escuridão reencontrei amigos que já supunha conhecer. Mas para eles olhei de outra forma. Olhei suas vozes doces em nuances de sentimento. Olhei seus trejeitos e risadas enquanto se movimentavam ao redor. Olhei seu íntimo, e sua luz. E nela pude ver como nunca.
E já noutro dia, quando a luz sob minha retina refletia um novo mundo, já não mais escuro, só o que pude me lembrar eram deles, e cenas vieram em minha cabeça nitidamente como se nunca tivesse havido escuridão.
Fechei meus olhos por um dia a fim de não ver o que estava na minha frente.
Com a esperança de que haveriam de vir outros olhos em mim para me guiar na escuridão. Olhos que já não carecem ver. Olhos da alma.
Esses não vieram. Ou se vieram eram fracos perante alguém que por muito já se acostumara a usar somente os olhos comuns de visão turva.
E assim caminhei na escuridão por caminhos antes já conhecidos, a flanar numa cidade sem cor, mas com vida.
Fechei meus olhos para o mundo a fim de ver melhor, de escutar melhor, de sentir melhor, de crer melhor.Fechei os olhos e ignorando, segui. Com a mão em riste segui rotina pela vida, pelo dia, pensando “outros olhos hão de vir”.
E vieram. No abandono da escuridão, com a mão em riste a tatear o nada, encontrei uma mão amiga. Não uma, várias, dispostas a me ajudar no que quer que fosse. Dispostas a me guiar, a ouvir, a falar, a enxergar. E já não mais houve escuridão.
E ainda que meus olhos fechados se abrissem eu não poderia ver, tamanha a luz daqueles que me guiavam com alegria. Na escuridão reencontrei amigos que já supunha conhecer. Mas para eles olhei de outra forma. Olhei suas vozes doces em nuances de sentimento. Olhei seus trejeitos e risadas enquanto se movimentavam ao redor. Olhei seu íntimo, e sua luz. E nela pude ver como nunca.
E já noutro dia, quando a luz sob minha retina refletia um novo mundo, já não mais escuro, só o que pude me lembrar eram deles, e cenas vieram em minha cabeça nitidamente como se nunca tivesse havido escuridão.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Obsessão
Essa é uma daquelas histórias que não tenho orgulho de contar. Tudo começou com uma bunda. Sim, uma bunda, enorme e redonda bunda a caminhar pelo escritório. Quando ela andava era só bunda, indo ou vindo só uma coisa podia ser vista: BUNDA.
Caminhava devagar, com seu passo manso a rebolar o quadril, pra lá, pra cá, pra lá, pra cá, nádega sobe, nádega desce, nádega sobe, nádega desce, e eu, enlouqueço.
Era o primeiro dia dela de trabalho, ou seria o meu primeiro de existência? Oi, meu nome é Jorge, prazer. Oi meu nome é....
Quem disse que eu ouvi, pra mim ela não tinha nome. Pra mim ela era uma bunda e nada mais. Não consegui mais trabalhar durante o resto do dia. Levantava os olhos da tela do computador a escrutinar todos os cantos da redação a procura de nada menos que uma bunda, não qualquer uma, mas A bunda. Grande, gigantesca, colossal, cada nádega apresentava a mais perfeita circunferência que nem mesmo Gioto seria capaz de fazer, e eu; eu queria me perder no centro delas num deleite sem fim de vai e vem animalesco e voraz, só pra ouvir aquela bunda gemendo.
6 horas. Graças a deus o dia acabou. Apesar disso sei que preciso me demorar alguns minutos a mais sentado em minha cadeira, esperando a bunda me sair da cabeça e poder assim me levantar sem maiores constrangimentos.
Segundo dia dela, ao que me parece a bunda está ligeiramente maior e ainda mais deliciosa. As horas passam num intervalo entre o prazer e a tortura. Se ao menos pudesse ter aquela bunda. A teria aqui mesmo, eu a jogaria encima da mesa, rasgaria sua calça de Lycra, e faria todos aplaudirem enquanto assistissem o coito ludibriante daquela bunda subjugada a minha vontade e minha libido incontrolável. Ou não tão incontrolável assim, afinal estaria eu aqui de conversa mole? Bem, não tão mole assim. 6 horas. Ainda pego essa bunda.
Terceiro dia, dessa vez é sério, a bunda realmente cresceu do dia para noite. Posso jurar que ela tem pelo menos 20 centímetros a mais de quadril do que ontem. Com ela cresce minha obsessão. Eu preciso ter essa bunda. Talvez se trombar com ela na porta do banheiro possa empurra-la de volta pra cabine a força, lambuzando-a como ela merece.
Teria ela com as pernas de salto fino para o ar, subindo e descendo no meu colo enquanto minhas mãos agarram e levantam cada nádega com vontade. Ok, vou no banheiro sem ela. 6 horas. Estou mais aliviado.
Quarto dia, devo realmente estar enlouquecendo. Juro por Deus, a bunda cresceu. Está enorme, não sei como ela consegue andar sem cair pra trás. A bunda é um convite que me devora. Quase a vejo falar. Venha, venha, veeenha. Estamos no elevador, só eu e ela, não creio que haja espaço pra mais ninguém. A bunda não deixaria. Ela pede licença para apertar o botão de seu andar. Sem querer, sua bunda roça levemente no meu pau. Perco a respiração. Será que ela percebeu. É claro que percebeu, aposto que fez de propósito. Está tentando me provocar. Passo o resto do dia a lembrar o toque daquela bunda. Ahhh a bunda. 6 horas.
Quinto dia, juro, ela não tem mais costas, já quase não tem corpo. Mais um dia e essa bunda vai ter crescido tanto que tomará todo o escritório. Agora sobra apenas a bunda e uma face quase imperceptível. Tenho certeza que ela me provoca. Vem com frequência à minha mesa entregar papéis e relatórios que deviam ir para outros departamentos. Passeia pelos corredores insinuantemente, atraindo olhos como imãs. impossível não notar. Já não sei o que é trabalho, há dias que nem ligo o computador. Já não finjo trabalhar, apenas invento desculpas para ver, e quem sabe tocar, aquela bunda. Ela foi pra máquina de Xerox, é minha deixa. Aproximo-me como quem não quer nada. Deixo ela ir primeiro, afinal a Xerox pouco me interessa. Uma de suas folhas cai e ela, inocentemente, abaixa para pegar. E de repente é isso, o mundo a minha volta sucumbe, já não existe mais nada, não existe sala, redação, edifício, planeta. Apenas eu orbitando em volta de uma enorme bunda que cresce e me extasia. Ela continua crescendo e crescendo, já não há mais espaço, eu tocarei essa bunda não só com minha mão mas com meu corpo inteiro, ela vai crescer e crescer até me engulir, ela vai crescer até enguliar tudo que existe, e crescendo e crescendo até explodiiiiir Aaaaahhhhh.
Sim, explodiu. Explodiu meu devaneio num estorpor de um orgasmo que não tive como segurar. E quando vi estava eu, gritando no meio do escritório, agora todo melado com uma bunda em minhas mãos e toda a redação a assistir a cena. Não foi assim que imaginei. Mas como você pode imaginar não houve mais bunda ou redação. É triste uma carreira jornalística ver seu fim assim. Por causa de uma bunda. Mas sabe do que mais, não me arrependo nem por um segundo.
Caminhava devagar, com seu passo manso a rebolar o quadril, pra lá, pra cá, pra lá, pra cá, nádega sobe, nádega desce, nádega sobe, nádega desce, e eu, enlouqueço.
Era o primeiro dia dela de trabalho, ou seria o meu primeiro de existência? Oi, meu nome é Jorge, prazer. Oi meu nome é....
Quem disse que eu ouvi, pra mim ela não tinha nome. Pra mim ela era uma bunda e nada mais. Não consegui mais trabalhar durante o resto do dia. Levantava os olhos da tela do computador a escrutinar todos os cantos da redação a procura de nada menos que uma bunda, não qualquer uma, mas A bunda. Grande, gigantesca, colossal, cada nádega apresentava a mais perfeita circunferência que nem mesmo Gioto seria capaz de fazer, e eu; eu queria me perder no centro delas num deleite sem fim de vai e vem animalesco e voraz, só pra ouvir aquela bunda gemendo.
6 horas. Graças a deus o dia acabou. Apesar disso sei que preciso me demorar alguns minutos a mais sentado em minha cadeira, esperando a bunda me sair da cabeça e poder assim me levantar sem maiores constrangimentos.
Segundo dia dela, ao que me parece a bunda está ligeiramente maior e ainda mais deliciosa. As horas passam num intervalo entre o prazer e a tortura. Se ao menos pudesse ter aquela bunda. A teria aqui mesmo, eu a jogaria encima da mesa, rasgaria sua calça de Lycra, e faria todos aplaudirem enquanto assistissem o coito ludibriante daquela bunda subjugada a minha vontade e minha libido incontrolável. Ou não tão incontrolável assim, afinal estaria eu aqui de conversa mole? Bem, não tão mole assim. 6 horas. Ainda pego essa bunda.
Terceiro dia, dessa vez é sério, a bunda realmente cresceu do dia para noite. Posso jurar que ela tem pelo menos 20 centímetros a mais de quadril do que ontem. Com ela cresce minha obsessão. Eu preciso ter essa bunda. Talvez se trombar com ela na porta do banheiro possa empurra-la de volta pra cabine a força, lambuzando-a como ela merece.
Teria ela com as pernas de salto fino para o ar, subindo e descendo no meu colo enquanto minhas mãos agarram e levantam cada nádega com vontade. Ok, vou no banheiro sem ela. 6 horas. Estou mais aliviado.
Quarto dia, devo realmente estar enlouquecendo. Juro por Deus, a bunda cresceu. Está enorme, não sei como ela consegue andar sem cair pra trás. A bunda é um convite que me devora. Quase a vejo falar. Venha, venha, veeenha. Estamos no elevador, só eu e ela, não creio que haja espaço pra mais ninguém. A bunda não deixaria. Ela pede licença para apertar o botão de seu andar. Sem querer, sua bunda roça levemente no meu pau. Perco a respiração. Será que ela percebeu. É claro que percebeu, aposto que fez de propósito. Está tentando me provocar. Passo o resto do dia a lembrar o toque daquela bunda. Ahhh a bunda. 6 horas.
Quinto dia, juro, ela não tem mais costas, já quase não tem corpo. Mais um dia e essa bunda vai ter crescido tanto que tomará todo o escritório. Agora sobra apenas a bunda e uma face quase imperceptível. Tenho certeza que ela me provoca. Vem com frequência à minha mesa entregar papéis e relatórios que deviam ir para outros departamentos. Passeia pelos corredores insinuantemente, atraindo olhos como imãs. impossível não notar. Já não sei o que é trabalho, há dias que nem ligo o computador. Já não finjo trabalhar, apenas invento desculpas para ver, e quem sabe tocar, aquela bunda. Ela foi pra máquina de Xerox, é minha deixa. Aproximo-me como quem não quer nada. Deixo ela ir primeiro, afinal a Xerox pouco me interessa. Uma de suas folhas cai e ela, inocentemente, abaixa para pegar. E de repente é isso, o mundo a minha volta sucumbe, já não existe mais nada, não existe sala, redação, edifício, planeta. Apenas eu orbitando em volta de uma enorme bunda que cresce e me extasia. Ela continua crescendo e crescendo, já não há mais espaço, eu tocarei essa bunda não só com minha mão mas com meu corpo inteiro, ela vai crescer e crescer até me engulir, ela vai crescer até enguliar tudo que existe, e crescendo e crescendo até explodiiiiir Aaaaahhhhh.
Sim, explodiu. Explodiu meu devaneio num estorpor de um orgasmo que não tive como segurar. E quando vi estava eu, gritando no meio do escritório, agora todo melado com uma bunda em minhas mãos e toda a redação a assistir a cena. Não foi assim que imaginei. Mas como você pode imaginar não houve mais bunda ou redação. É triste uma carreira jornalística ver seu fim assim. Por causa de uma bunda. Mas sabe do que mais, não me arrependo nem por um segundo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Um Rouxinol chamado Sartre
Em uma gaiola infestada de pássaros multicoloridos que cantam, apenas um em silêncio permanece. Seu silêncio pertuba. Seu silcêncio ouve-se mais alto que a algazarra de todos os outros cantando juntos.
Ele não canta. Ele mal se mexe. Encolhido em sua resignação ele apenas fica.
E eu a olhar pra ele me pergunto: por que não canta? por que não exerce a única função a que a natureza lhe destina? Teria ele plena consciência de seu cativeiro? Ou seria talvez, por motivo muito mais nobre que mantém seu silêncio resignado?
Sua soberba tristeza é o que o destaca, o que o torna único, o que o torna belo. Dentre tantos só ele consegue se distinguir. E só assim tão facilmente.
Talvez tenha essa consciência. Talvez saiba ele que o não cantar é seu maior canto.
Pudera. É apenas um passáro. Seria por demais achar, num puro delírio, que um simples passáro teria essa série de questionamentos filosóficos perante sua própria vida.
Sim, apenas um pássaro. Mas seu canto é um protesto, uma poesia silenciosa, uma conversa sem prosa, uma melodia a arrancar lágrimas de seus atentos ouvintes. Ele canta a Liberdade.
Ele não canta. Ele mal se mexe. Encolhido em sua resignação ele apenas fica.
E eu a olhar pra ele me pergunto: por que não canta? por que não exerce a única função a que a natureza lhe destina? Teria ele plena consciência de seu cativeiro? Ou seria talvez, por motivo muito mais nobre que mantém seu silêncio resignado?
Sua soberba tristeza é o que o destaca, o que o torna único, o que o torna belo. Dentre tantos só ele consegue se distinguir. E só assim tão facilmente.
Talvez tenha essa consciência. Talvez saiba ele que o não cantar é seu maior canto.
Pudera. É apenas um passáro. Seria por demais achar, num puro delírio, que um simples passáro teria essa série de questionamentos filosóficos perante sua própria vida.
Sim, apenas um pássaro. Mas seu canto é um protesto, uma poesia silenciosa, uma conversa sem prosa, uma melodia a arrancar lágrimas de seus atentos ouvintes. Ele canta a Liberdade.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Todo mundo merece sobremesa
Estão num bar. a mesa repleta de amigos. todos bebem, riem e falam alto. Ao todo devem ser uns 10 em volta da mesa. Ninguém parece notar a conversa dos dois, ou como de repente estão mais íntimos.
Ela “Não quero que você vá. quero que fique e converse comigo.” pega no braço dele.
Ele “por que quer que eu fique?” na orelha dela.
Ela “porque de repente me senti tão sozinha.” alisa o peito dele colocando a mão dentro da camisa entre aberta.
Ele “ o que eu ganho se ficar?” alisa-lhe a coxa pela parte de dentro da saia.
Ela “Você não pode ir. Ainda estamos todos comendo e bebendo, e você ainda nem comeu a sobremesa” lambe-lhe a orelha.
Ele “E o que há de sobremesa?” com a mão em concha aperta-lhe a boceta por sobre a calcinha.
Ela “Eu preciso ver no cardápio” a mão que alisava o peito desce por sob a camisa até o volume do lado direito da calça.
Ele “Você está molhada.”
Ela “todo mundo merece sobremesa.”
Ele “E eu quero a entre as suas pernas.”
Ela “Aiii, garçom, a conta.”
Silêncio. A mesa parou. todos olharam para eles espantados.
Ele “Achei seu brinco” falando alto para todos ouvirem e abaixando pra pegar na tentativa de disfarce.
Ela “E a saidera, claro.” gritando pro garçom também na tentativa de disfarce.
E tomaram mais uma cerveja. Indo embora e despedindo-se em momentos diferentes. Deixando a sobremesa pro dia seguinte.
Ela “Não quero que você vá. quero que fique e converse comigo.” pega no braço dele.
Ele “por que quer que eu fique?” na orelha dela.
Ela “porque de repente me senti tão sozinha.” alisa o peito dele colocando a mão dentro da camisa entre aberta.
Ele “ o que eu ganho se ficar?” alisa-lhe a coxa pela parte de dentro da saia.
Ela “Você não pode ir. Ainda estamos todos comendo e bebendo, e você ainda nem comeu a sobremesa” lambe-lhe a orelha.
Ele “E o que há de sobremesa?” com a mão em concha aperta-lhe a boceta por sobre a calcinha.
Ela “Eu preciso ver no cardápio” a mão que alisava o peito desce por sob a camisa até o volume do lado direito da calça.
Ele “Você está molhada.”
Ela “todo mundo merece sobremesa.”
Ele “E eu quero a entre as suas pernas.”
Ela “Aiii, garçom, a conta.”
Silêncio. A mesa parou. todos olharam para eles espantados.
Ele “Achei seu brinco” falando alto para todos ouvirem e abaixando pra pegar na tentativa de disfarce.
Ela “E a saidera, claro.” gritando pro garçom também na tentativa de disfarce.
E tomaram mais uma cerveja. Indo embora e despedindo-se em momentos diferentes. Deixando a sobremesa pro dia seguinte.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Depois da Chuva
Depois da chuva a lama
o desgosto
a roupa molhada pregada ao corpo
o musgo
o vento
o espelho d'água que reflete o rosto
o reflexo
a reflexão
Não minto.
Brasileiro que sou,
Saudades é o que sinto.
Depois da chuva o sol.
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