(continuando a sátira aos premios Ignobel 2005, com reportagem na Folha de São Paulo, escrevi esse segundo conto sobre dois lunáticos que ganharam o prêmio Ignobel da paz por sua tentativa de provar a influência de filmes de ação na concretizaçaõ de atos violentos, submetendo a prova de 20 horas seguidas de exibição um… , por mais ridículo que pareça, a tal cobaia que teve seus estímulos "cerebrais" medidos. É tão estapafúrdio que tinha que escrever. Confira e descubra até onde vai a sencibilaidade de um…)
Que a Força esteja conosco
Três dias tinham se passado desde o começo da experiência. Se desse certo, seria a prova científica e derradeira de que filmes de violência afetam a psique humana. Afinal, se afetasse a psique daquela criatura afetaria a de qualquer coisa.
Tinha tido a brilhante idéia no começo da semana, depois de voltar frustrado de uma convenção na qual tinha sido ridicularizado por apresentar semelhante tese sem provas concretas e comprovações empíricas. Tudo que tinha que fazer era providenciar para que nada desse errado na experiência. Seria difícil conseguir tudo que fosse necessário para tal.
Foi até a locadora e alugou “Guerra nas Estrelas – A vingança dos Sith”, voltou para casa, arrumou o vídeo e uma tela grande. Preparou a pequena maca com mordaças; os eletrodos; os aparelhos sísmicos. Seu assistente não entendia nada.
Saíram para o campo, deveriam capturar a criatura. Pelo menos um dia foi gasto antes que pudessem voltar dos campos de trigo ao laboratório com seu objetivo cumprido.
Os eletrodos estavam agora ligados, o filme já passava 20 vezes e até o doutor já se compadecia por Anakin Skywalker. Os olhos da criatura permaneciam imóveis e sem expressão, os aparelhos nada acusavam. Como conseguiria provar que filmes de violência eram ruins para a humanidade se não conseguia extrair nem um resquício de emoção daquele gafanhoto, submetido a horas afim em frente da TV.
Olhou fixamente nos olhos do espécime; estaria ele ingressando no lado negro da Força?
Augusto M Anjos
18/11/05
9:12 am
terça-feira, 12 de setembro de 2006
sexta-feira, 8 de setembro de 2006
À Pátria com Amor
“Independência ou Morte?” “Hum. Não sei! Não Tem uma terceira opção?” Salve, Salve meus compatriotas e patrícios, pois hoje é o dia da pátria. E ao que tudo indica, o brasileiro é patriota a cada 4 anos e sabe cantar só a primeira parte do hino. O grande problema do brasileiro é que este não se vê representado enquanto nação. É tanta falcatrua durante 506 anos de existência que o brasileiro tende a falar mal do pais só em terceira pessoa, como se não fosse brasileiro.
Comecemos consertando isso. Nós brasileiros não nos vemos representados por essa corja de ladrões e aproveitadores. Nós brasileiros, por conta disso, acabamos criando uma visão autocrítica para tudo e procuramos não nos envolver com nada que diga respeito a formação de uma futura nação. Sim, nós brasileiros adoramos feriado. Mas acabamos associando desfile, bandeira e hino à repressão, obrigatoriedade e militarismo. Aqui o desleixo é um tipo de patriotismo. Aqui o “foda-se” é uma ovação à liberdade. Nós que por tão pouco tempo fomos livres, passando da mão de um senhor Coronér a outro. Nós, no dia de hoje somos livres se dizemos “ Por que devo comemorar o grito de felicidade de um cara que se tornaria rei porque papai voltava para Portugal e que recebeu a notícia, enquanto dava uma cagadinha na beira do riacho, no meio do nada, entre a casa de sua amante e o palácio de sua mulher?” Independência ou Morte?
Morte! Morte ao fanatismo patriótico cego, que não enxerga as desgraças e abominações de nossa história, como o exemplo citado a cima. Morte ao eleitor burro, que vai eleger a quem lhe roubou por quatro anos, e, num sentimento de amor cristão, dará a outra face a tapa. Ou seria o outro bolso. Morte a esse mesmo eleitor burro que adota a política do “Não tem tu, vai tu mesmo” e vota nesse para aquele não ganhar, mas que se pudesse não votava em nenhum dos dois. Então não vota! Titulo de eleitor devia ser dado em razão do quociente de inteligência e não da idade. Não tem maturidade, não vota.
Eu escolho a morte como bom brasileiro. Pois só ela é a independência. Independência dessa cultura da ignorância e da falta de senso coletivo.
Morte sim, ao Brasil burro! Independência a essa outra nação que luta para nascer a cada dia. A cada gesto. A cada pleito e a cada voto. Feliz independência para vocês.
Augusto M. dos Anjos
07/09/06
10:49 am
Comecemos consertando isso. Nós brasileiros não nos vemos representados por essa corja de ladrões e aproveitadores. Nós brasileiros, por conta disso, acabamos criando uma visão autocrítica para tudo e procuramos não nos envolver com nada que diga respeito a formação de uma futura nação. Sim, nós brasileiros adoramos feriado. Mas acabamos associando desfile, bandeira e hino à repressão, obrigatoriedade e militarismo. Aqui o desleixo é um tipo de patriotismo. Aqui o “foda-se” é uma ovação à liberdade. Nós que por tão pouco tempo fomos livres, passando da mão de um senhor Coronér a outro. Nós, no dia de hoje somos livres se dizemos “ Por que devo comemorar o grito de felicidade de um cara que se tornaria rei porque papai voltava para Portugal e que recebeu a notícia, enquanto dava uma cagadinha na beira do riacho, no meio do nada, entre a casa de sua amante e o palácio de sua mulher?” Independência ou Morte?
Morte! Morte ao fanatismo patriótico cego, que não enxerga as desgraças e abominações de nossa história, como o exemplo citado a cima. Morte ao eleitor burro, que vai eleger a quem lhe roubou por quatro anos, e, num sentimento de amor cristão, dará a outra face a tapa. Ou seria o outro bolso. Morte a esse mesmo eleitor burro que adota a política do “Não tem tu, vai tu mesmo” e vota nesse para aquele não ganhar, mas que se pudesse não votava em nenhum dos dois. Então não vota! Titulo de eleitor devia ser dado em razão do quociente de inteligência e não da idade. Não tem maturidade, não vota.
Eu escolho a morte como bom brasileiro. Pois só ela é a independência. Independência dessa cultura da ignorância e da falta de senso coletivo.
Morte sim, ao Brasil burro! Independência a essa outra nação que luta para nascer a cada dia. A cada gesto. A cada pleito e a cada voto. Feliz independência para vocês.
Augusto M. dos Anjos
07/09/06
10:49 am
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
Coisa de Momento
Já falamos sobre como é ter um dia daqueles. Mas você já teve um dia de perfeita felicidade, onde tudo parece dar certo sem motivo aparente. Minto, talvez sempre exista um motivo aparente para a felicidade. Já a recíproca não é verdadeira.
O meu motivo de felicidade, e isso pode parecer estranho, foi o fato de pedir demissão. Sim, se você nunca se demitiu não pode entender a sensação. A leveza e a alegria espontâneas de tirar um peso das costas, de se livrar daquele trabalho que nas últimas semanas se estagnou, perdeu o sentido, virou rotina. Aquele que já não traz aprendizado nenhum ou ganho, só estresse e dor de cabeça. E nesse momento, meu amigo, você tem dois caminhos a seguir, mudar ou acomodar-se. A segunda fará com que você se torne amargo, dia após dia, e comece a reparar apenas nos defeitos de seus colegas e da empresa, se tornará resistente a mudanças, você morrerá um pouco. Pessoalmente prefiro a primeira opção.
Assim sendo, pedi as contas, expliquei meus motivos e minha saída ficou programada para o final do mês. É desnecessário dizer que o resto do dia transcorreu placidamente. Um momento sublime de felicidade pura e presente, sem questionamentos. Um momento.
Por fim o dia acabara e um questionamento surgiu sim em minha mente. Sentia-me plenamente feliz por um dia inteiro e não queria escrever a respeito. Por quê?
Por quê escreve-se tão pouco sobre os sentimentos alegres? Por quê a tristeza e a melancolia imperam na literatura? São mais poéticas? E você questionará, mas os poetas falam de amor. Sim, eles falam, sem jamais deixar de comentar que também o amor traz sofrimento. Assim pouco se escreve sobre sentimentos de plena felicidade, e por quê?
Para isso, desenvolvi duas hipóteses:
Hipótese 1 – As pessoas valorizam, sadicamente, tudo que traz dor e sofrimento. Isso é fato. O quadro de um artista pode valer o dobro do preço se o mesmo artista estiver morto. “Ele jamais pintará de novo” “E por que você não apreciou a arte dele enquanto estava vivo” “Não sei! Pra dizer a verdade, nunca tinha ouvido a respeito dele. Morreu de quê?” “De fome!”
Sim, quando se trata de morte e desgraça a notícia se espalha, as pessoas agem como urubu em carniça. O ser humano não valoriza o bem precioso que tem e só se dá conta quando lhe é tirado. Mas assim, acaba vangloriando mais o final da jornada do que ela em si. O ser Humano é sádico, e sempre o será.
Hipótese 2 – Os momentos de felicidade são plenos e perfeitos em si mesmos, eles se bastam. Não carecem de definição. Já dizia Jack Trout “Definir é morrer”, e é verdade; ao definirmos algo, qualquer coisa, o limitamos a nossa errônea percepção, o diminuímos, o matamos um pouco em seu esplendor natural. Exemplo: O sol. O sol é. O sol é e apenas é. Nada mais. Diga quente, diga belo, diga saudoso num dia de chuva, diga alegre, diga, e já estará o diminuindo em sua essência. A essência é. Assim aqueles que puderam experenciar um dia pleno, ou até um único momento, não o defina. Não de imediato, não enquanto ele perdura. Ele é pleno e não carece de definição. E quando este tiver acabado, aí sim, defina-o para que reste dele a lembrança que se deteriorará e que a definição ajudará a conservar. Por isso escrevo isso hoje, por isso ontem não tive vontade de escrever. E esse é o conselho que lhe dou: se por acaso você foi agraciado com um raro momento de felicidade, não pense, não defina, não classifique. Curta. Viva. Aproveite.
Augusto M. Anjos
24/08/06 11:35 am
O meu motivo de felicidade, e isso pode parecer estranho, foi o fato de pedir demissão. Sim, se você nunca se demitiu não pode entender a sensação. A leveza e a alegria espontâneas de tirar um peso das costas, de se livrar daquele trabalho que nas últimas semanas se estagnou, perdeu o sentido, virou rotina. Aquele que já não traz aprendizado nenhum ou ganho, só estresse e dor de cabeça. E nesse momento, meu amigo, você tem dois caminhos a seguir, mudar ou acomodar-se. A segunda fará com que você se torne amargo, dia após dia, e comece a reparar apenas nos defeitos de seus colegas e da empresa, se tornará resistente a mudanças, você morrerá um pouco. Pessoalmente prefiro a primeira opção.
Assim sendo, pedi as contas, expliquei meus motivos e minha saída ficou programada para o final do mês. É desnecessário dizer que o resto do dia transcorreu placidamente. Um momento sublime de felicidade pura e presente, sem questionamentos. Um momento.
Por fim o dia acabara e um questionamento surgiu sim em minha mente. Sentia-me plenamente feliz por um dia inteiro e não queria escrever a respeito. Por quê?
Por quê escreve-se tão pouco sobre os sentimentos alegres? Por quê a tristeza e a melancolia imperam na literatura? São mais poéticas? E você questionará, mas os poetas falam de amor. Sim, eles falam, sem jamais deixar de comentar que também o amor traz sofrimento. Assim pouco se escreve sobre sentimentos de plena felicidade, e por quê?
Para isso, desenvolvi duas hipóteses:
Hipótese 1 – As pessoas valorizam, sadicamente, tudo que traz dor e sofrimento. Isso é fato. O quadro de um artista pode valer o dobro do preço se o mesmo artista estiver morto. “Ele jamais pintará de novo” “E por que você não apreciou a arte dele enquanto estava vivo” “Não sei! Pra dizer a verdade, nunca tinha ouvido a respeito dele. Morreu de quê?” “De fome!”
Sim, quando se trata de morte e desgraça a notícia se espalha, as pessoas agem como urubu em carniça. O ser humano não valoriza o bem precioso que tem e só se dá conta quando lhe é tirado. Mas assim, acaba vangloriando mais o final da jornada do que ela em si. O ser Humano é sádico, e sempre o será.
Hipótese 2 – Os momentos de felicidade são plenos e perfeitos em si mesmos, eles se bastam. Não carecem de definição. Já dizia Jack Trout “Definir é morrer”, e é verdade; ao definirmos algo, qualquer coisa, o limitamos a nossa errônea percepção, o diminuímos, o matamos um pouco em seu esplendor natural. Exemplo: O sol. O sol é. O sol é e apenas é. Nada mais. Diga quente, diga belo, diga saudoso num dia de chuva, diga alegre, diga, e já estará o diminuindo em sua essência. A essência é. Assim aqueles que puderam experenciar um dia pleno, ou até um único momento, não o defina. Não de imediato, não enquanto ele perdura. Ele é pleno e não carece de definição. E quando este tiver acabado, aí sim, defina-o para que reste dele a lembrança que se deteriorará e que a definição ajudará a conservar. Por isso escrevo isso hoje, por isso ontem não tive vontade de escrever. E esse é o conselho que lhe dou: se por acaso você foi agraciado com um raro momento de felicidade, não pense, não defina, não classifique. Curta. Viva. Aproveite.
Augusto M. Anjos
24/08/06 11:35 am
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