sábado, 5 de agosto de 2006

Sorte ou Azar?

Sabe quando você pisa na merda e alguém te diz “é sorte”? Ou quando uma pomba caga em sua cabeça, melando sua camisa favorita e algum cretino de plantão também diz é sorte!?
As pessoas têm uma noção muito perturbada sobre o que é sorte. Não vejo como uma desgraça como essa possa ser um presságio de sorte. Ah tá! Talvez seja o karma, o yin-yang, a balança cósmica do equilíbrio universal, ou até mesmo Newton e sua física ditando “para cada ação uma reação igual e contraria”. Tendo isso implicito no inconsciente coletivo, a afirmação de sorte não passé talvez de uma dedução lógica irracional, calculada em frações de segundo, ou simplesmente pronta no subconsciente para poder sair. Assim “ Se a balança universal tende sempre a equilibrar as coisas, causando uma reação igual à uma ação adversa. E se tamanha desgraça lhe ocorreu sem que você tivesse feito nada para provocá-la. Então há de acontecer algo maravilhoso que remedie o tal fato.” , tendo o processo subconsciente terminado, a conclusão plausível, “Logo, é sorte”.
Parece uma idéia um tanto absurda pensar que o cara a seu lado, sem ter nada melhor pra dizer, ou nada útil para melhorar a situação, vá ter todo esse processo mental em segundos antes de exclamar a frase que você menos quer ouvir! Minto, a frase que você menos quer ouvir num momento como esse é: “Que merda, hein?”, a resposta mais educada para essa observação seria, “Ora, não me diga!”, ou ainda mais irônico, “Não, acho que é chocolate!”. Sem ter muito o que fazer, lhe resta limpar o sapato na sarjeta, ou a camisa com água, e esperer que a abnegada e compensatória rodada de sorte chegue logo.
Hoje um desses momentos de sorte me ocorreu. Muito embora não tenha merda na estória, talvez preferiria que tivesse. TALVEZ! Sai para o almoço e resolvi ir no restaurante recém-reinaugurado, depois da reforma da rua Pinheiros. O flyer era convidativo, o lugar nemtanto. Sentei. Pedi o prato e a garçonete me informou que o buffet de saladas estava incluso. Após me servir de uma grande variedade de vegetais folhosos e leguminosas, sentei e comi.
Comia calmamente quando, ao olhar para a alface, reparei em uma coisinha verde bem pequena. Seria o que pensava que era? “Não, provavelmente é uma minuscule vagem”, pensei, enquanto cutucava com o garfo para ter certeza. Não era uma vagem!
A minuscule coisinha, ou deveria dizer criaturinha, se contorceu ao toque frio do talher, quase como se dissesse oi.
Perdi repentinamente meu apitite. Mas o que fazer? O prato principal ainda nem havia chegado. Comi o resto da salada sem tocar na alface. Não sou tão fresco assim. Resolvi que diria à garçonete entre sussurros o pequeno segredo de sua salada mal lavada. No entanto, quando essa veio buscar o prato, a criatura já não estava lá. Tinha escorrido ou rastejado ou o que quer que fosse para a parte interna da folha. Ou talvez eu tivesse imaginado tudo. De qualquer forma, o resto da refeição não foi tão agradável. Não que a comida estivesse ruim, mas minha mente impressionada com o caso estava alerta para outras tantas surpresas que não ocorreram.
Ao pagar a conta recebi do dono um cartão de fidelidade (coma 6 ganhe 1). Muito irônico esse tal destino. Peguei o cartão e enfiei no bolso, ciente da minha missão de avisar ao mundo sobre aquele lugar. Voltei para o escritório com a certeza de que não é o tamanho do verme que importa, mas sim o asco que ele proporciona.
Quanto a sorte, ainda espero por ela até o final do dia. E se você leitor vai ainda almoçar, depois de ler isso, eu só posso lhe desejar “Boa Sorte”.


Augusto M. dos Anjos
26/07/06 14:52

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