quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Socorro! Eu prefiro o PCC

Existe uma facção ainda mais poderosa e maquiavélica do que o PCC, capaz de instalar o caos na cidade de São Paulo em segundos e perpetuá-lo por todo um dia. Eles são os metroviários.
A cena que vi quando sai de casa hoje foi indescritível. Por mais que estivesse preparado e informado a respeito da greve, o que presenciei me surpreendeu. Me sentia dentro do filme “Impacto Profundo”, os carros atolavam as ruas sem deixar um milésimo de centímetro livre; os ônibus tinham passageiros saindo pela janela e as portas já não fechavam. Havia quem andasse pelas ruas e fosse mais rápido que os automóveis. Olhava aquilo e pensava quando viria a onda gigante, causada pelo meteoro, para matar a todos afogados.
Resolvi aderir e caminhei. Caminhei da minha casa, próximo a igreja de São Judas, até o primeiro ponto da avenida Paulista, em frente ao Bradesco.
Em minha caminhada pude apreciar a cidade como há muito não fazia. Se estressar com o inevitável? Por quê? Andava com “Bitter Sweet Symphony” na cabeça. Andava pensando “Nothing is gonna change my mood”. Andava apreciando o sol que aquecia a manhã e o fulgor das poucas árvores e flores; e, obviamente, andava apreciando o caos. Sim o caos; é curioso andar e reparar como as pessoas reagem sob o inevitável. Há aqueles que como eu, andavam rumo ao trabalho, conversando alegres, mas preocupados com a hora que chegariam. Mas há também aqueles, que sentam desolados no ponto, com cara de bunda, à espera de um ônibus em que consigam embarcar. Desses tenho pena. Há também aqueles que se aproveitam da situação para entregar muitos folhetos e vender água e guloseimas nos faróis. Depois de dez minutos de caminhada, resolvi lembrar da minha época de legionário e cantei “Faroeste Caboclo” inteiro.
É engraçado parar para pensar a respeito. É preciso a cidade inteira parar, para que se comece novamente a percebê-la. Percebê-la como se deve.
Afinal esse é o papel do caos, destruir para reconstruir, para aperfeiçoar, ainda que para os poucos que percebam a modificação. Não, não sou um anarquista. Mas é fato que o caos tem em si o gérmen da vida. Mas isso é estória para outro dia.


Augusto M dos Anjos
15/08/06

3 comentários:

  1. Caro Ir. Augusto...
    o puto do igor passou meu site neh...
    ele eh um viado hehehehe
    brincaderas a parte...
    vc tb escreve bem pakas...
    eu com a prosa sou uma negacao...eu costumo dizer q conjugo corretamente o portugues errado...
    Sobre o titulo do seu blog...pelo q eu ja li dos seus escritos e se vc depender deles eu aposto q bem antes de 2066 vc ja estara na academia...
    vc q curte citacoes ( ou sitacoes..sei la como q eh )

    É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial
    é invisível aos olhos. - (Antoine de Saint-Exupéry)

    nesses tempos tao dificeis...isso pode te ajudar nos seus textos..
    abracao irmao!
    ateh a proxima

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  2. Pô, logo no fim, quando você joga uma bela provocação, você pára? Escreva outro post continuando aquela idéia, aquilo dá muito pano pra manga.

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  3. São Paulo sem trânsito é que nem a Bahia sem Carnaval... não, acho que a comparação não é muito justa.

    Abraço

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