Estou no carro dirigindo ao léu, é domingo. Como em todo o domingo o tédio é inevitável. Mas ultimamente o tédio tem ganhado uma perspectiva diferente para mim, vem com uma dose extra de melancolia e costuma se estender pelo resto da semana. Mas definitivamente, domingo é sempre a gota d’água, sempre um saco.
Ficar parado sem fazer nada faz a gente pensar. Pensar sobre o porque está parado. Pensar sobre a vida e sobre o que a deixou assim. Claro que de ante mão já sei a resposta do porque estou parado. Estou sem dinheiro, e sem ele não se faz nada em São Paulo, por isso fiquei em casa os últimos três finais de semana, sem fazer nada. Também estou sem amigos. Calma, não é sessão terapia. Tenho amigos, muitos, só que no momento cada amigo tem sua própria turma ou sua própria companhia. Sabe quando mamãe, de saco cheio, te dizia “vá procurar sua turma” porque você era muito pequeno para ouvir, em bom português, vai se foder. Pois tenho procurado minha turma. Mas no momento estou em casa, parado, fazendo nada.
É estranho. Outro dia fui visitar um grande amigo numa situação bem pior que a minha: surto de síndrome do pânico. Às vezes dou graças a deus ironicamente, por estar tão infeliz por tanto tempo e , ainda assim, nada parecido me aconteceu; soube sempre lidar com meus problemas sozinho. Na maioria das vezes era assim que tinha de resolvê-los.
Ao ouvir a descrição dos sintomas da boca de meu amigo, “como se fosse uma ataque de 5 minutos, bate um desespero profundo onde quero voltar pra casa”, percebei que tantos outros que conhecia já tinham apresentado histórico semelhante. As doenças da modernidade me assuntam.
Mas recapitulando, é domingo. Eu, na inutilidade do meu tédio, começo a pensar um monte de merda. São 18 horas e não sai de casa. O tédio atinge um nível crítico desesperador. Preciso sair. Pegar o carro e andar na cidade. Peguei os filmes a serem devolvidos à locadora e fui. É a segunda vez que isso acontece. No começo do ano, sozinho em casa, o tédio tinha atingido também uma dimensão catastrófica e tive que sair; também um domingo, em plena madrugada, simplesmente para andar de carro, espairecer. Passeios Noturnos.
No passeio de hoje, comecei a desenvolver uma teoria sobre o que sentia; em verdade, penso que desenvolvi a antítese da síndrome do pânico. A Síndrome do Tédio. Devastadora, aniquiladora, ela pode acabar com um fim de semana perfeito. Os sintomas são paradoxais aos de sua síndrome irmã. Vem, como que por decreto, um surto de desespero, um súbito descontentamento exacerbado, e a certeza absoluta do que deve ser feito: “Tenho que sair de casa!” “Agora!”
Você já sentiu um tédio tão avassalador que te fez largar tudo que fazia, ou não fazia e partir? Você já saiu de casa, sem destino certo, apenas para pensar o que tem feito de errado e colocar a vida em perspectiva?
É Domingo. Parta. Pense. Mexa-se.
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
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