terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Lembrança

Sentado no parque a admirar a natureza. Olha para o lado e o que vê? Um busto, daqueles em bronze ou chumbo esverdeado. Um rosto. Nada reconhecível, nada famoso, nada familiar.
Logo abaixo, um espaço, vazio e sujo, um símbolo do vandalismo daqueles que lhe roubaram a placa memorial para derreter e fazer dinheiro.
Eis que olha para o busto, e o busto lhe olha:
- Triste fim esse de arrancarem-lhe a memória. Não só morto, mas esquecido, esquecido e presente. Eternamente lembrado no esquecimento.
Eis que o busto responde:
- Antes isso que nada. Antes um rosto sem nome que um nome sem rosto. Antes um “Fulano Quem?” E você terá um busto como eu?
- Só o tempo e a sorte hão de dizer. Aqui reconhecimento só com a morte.
- Por vezes nem com ela.




Augusto M. Anjos

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