Acorda atrasado de manhã, põe a primeira roupa que vê pela frente, uma calça jeans punk toda rasgada e uma dessas camisetas da moda que parece do avesso. Sem tempo para se pentear pega alguma coisa para comer no caminho, sai correndo até o metrô.
Despenteado e esbaforido chega ao consultório (psiquiatria), onde a recepcionista o pede que aguarde. Ao entrar na sala do medico se em frente a um estereotipo psiquiátrico, semi-cavanhaque, grisalho, com entradas na testa tão salientes que via-se o cabelo que despontava da nuca ao côco da cabeça. Era praticamente Billy Crystal em “a Máfia volta ao divã”. O médico olha ressabiado a estranha indumentária do figura:
- Bom dia.
- Bom dia, doutor.
Ele aponta para que se sente.
- Você tem algum antecedente psiquiátrico?
- Não que eu saiba
- Em que posso ajuda-lo?
- Estou a ponto de entrar em uma Instituição e me foi solicitado um atestado de sanidade mental, do qual dependerá o meu ingresso.
- Entendendo. E Qual seria essa Instituição? – estranha o doutor o procedimento pouco usual.
- Isso eu não posso lhe dizer.
- Por que não? – pergunta ele, agora realmente encafifado.
- Porque arracariam-me a língua e cortariam-me a garganta.
- E como eles saberiam que me contou
- Eles sabem
- Eles sabem? Sua família tem histórico psiquiátrico, meu rapaz?
- Meu bisavô é o poeta Augusto dos Anjos
- Era?
- Não, é!
- Aham
- E meu primo em 2º grau era psicopata. Matou metade da família.
O doutor aperta o interfone:
- Enfermeira, queira me ajudar aqui, sim.
- Então, doutor, quando eu posso ter esse atestado?
Em tom conciliatório:
- Ora assim que eu assinar esse papel aqui. Só gostaria que o senhor retirasse sua via em outro estabelecimento em que clinico.
- Qual, doutor?
- No Charcot, a enfermeira vai lhe acompanhar até o transporte adequado e temos uma vestimenta melhor para você também. Tenha uma boa vida meu senhor.
- O senhor também, doutor. Viva a revolução!
Augusto M. dos Anjos
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário