segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um Rouxinol chamado Sartre

Em uma gaiola infestada de pássaros multicoloridos que cantam, apenas um em silêncio permanece. Seu silêncio pertuba. Seu silcêncio ouve-se mais alto que a algazarra de todos os outros cantando juntos.
Ele não canta. Ele mal se mexe. Encolhido em sua resignação ele apenas fica.
E eu a olhar pra ele me pergunto: por que não canta? por que não exerce a única função a que a natureza lhe destina? Teria ele plena consciência de seu cativeiro? Ou seria talvez, por motivo muito mais nobre que mantém seu silêncio resignado?
Sua soberba tristeza é o que o destaca, o que o torna único, o que o torna belo. Dentre tantos só ele consegue se distinguir. E só assim tão facilmente.
Talvez tenha essa consciência. Talvez saiba ele que o não cantar é seu maior canto.
Pudera. É apenas um passáro. Seria por demais achar, num puro delírio, que um simples passáro teria essa série de questionamentos filosóficos perante sua própria vida.
Sim, apenas um pássaro. Mas seu canto é um protesto, uma poesia silenciosa, uma conversa sem prosa, uma melodia a arrancar lágrimas de seus atentos ouvintes. Ele canta a Liberdade.

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