quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Muro

Um muro. Ninguém sabia ao certo desde quando estava lá ou o que era antes. O fato é que agora era apenas um muro. Um muro no meio do nada, sem nada em volta. Nada em volta além de gente, aos milhares que vem de partes distantes só pra encostar no muro. Começou como quem não quer nada. Num dia fatídico alguém cansado de sua viagem resolveu encostar no muro para dar uma descansadinha. Encostou lá e ficou. Como não tinha nada pra fazer, resolveu fazer o que humanos fazem de melhor: se lamentar. Lamentou a vida, o trabalho, a pobreza e a riqueza, lamentou o amor, a prole, a terra, a guerra. Quando não agüentava mais lamentar foi embora.

No dia seguinte trouxe outro pra lamentar consigo. E assim foram se ajuntando, muitas centenas para lamentar. E tanto lamentavam que atraiam para seu em torno mais lamentações, tornando a terra do muro lamentável.

Assim são os muros, eles dão aquilo que recebem em dobro. Houvera uma vez, muito longe desse, um outro muro banhado a ódio. E tanto ódio havia nele que ruiu e foi abaixo. Tinha um outro que separava um país o cortando ao meio, e era tão grande que dava pra ver do espaço seu povo separado. Construímos muros para separar, segregar, proteger, confinar. Sempre foi assim, e cada muro gerava em seu entorno o que as pessoas neles depositavam, fosse ódio pela segregação ou o medo pela suposta proteção.

Mas aquele muro era diferente, era só para se lamentar e o povo do muro não ligava muito pra outros muros por aí a fora. Gostava mesmo era de se lamentar encostando no muro. E de tanta lamentação o muro já lamentava sozinho. O muro lamentava por seu povo sempre em guerra, promovendo um genocídio e expulsando da terra um outro povo. Esse povo gostava era de pedra. Não muito longe dali havia uma pedra. Ninguém sabia ao certo desde quando estava lá ou o que era antes. O fato é que agora era apenas uma pedra. Uma pedra no meio do nada, sem nada em volta. Nada em volta além de gente, aos milhares que vem de partes distantes só pra dar voltas ao redor da pedra.

2 comentários:

  1. Oi Augusto! Estou aqui para parabenizá-la por seu blog que continua lindo. E também para avisar que estou agora com novo endereço. Meu tempo de utilização no ZIP.NET acabou, por isso estou de casa nova, mas com o mesmo conteúdo. Ainda estou em fase de adaptação, mas com o tempo pegarei as manhas do novo site certo? (rsss) Passe por lá pra me fazer uma visitinha; e saiba que já está linkado viu?! Bjo

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  2. Oi Augusto! Nossa; adorei o post O MURO, legal mesmo. Você como sempre escrevendo super bem, parabéns! Também tenho um post novo lá no VENTURAS..., quando puder me faça uma visitinha ok? Bjos e continue brilhando!

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